Durante o evento ExpertXP, em São Paulo, Yellen previu, sem dar prazos, que haverá um "aumento dos juros para conter a inflação" decorrente da alta do petróleo. Os dirigentes da instituição, segundo ela, "estão muito dispostos a aumentar as taxas" se a pressão "continuar a se intensificar".
Ela disse que a postura atual dos bancos centrais marca uma inflexão em relação ao período posterior à crise financeira global, quando o problema era o oposto. "Agora, todos os bancos centrais do mundo, incluindo o Fed, estão tentando fazer a inflação cair", afirmou, ao lembrar que, na época em que presidiu o Fed, o choque de 2008 derrubou a inflação e elevou o desemprego para perto de dois dígitos, levando os juros a zero em dezembro daquele ano.
Segundo Yellen, a dificuldade para reaquecer a economia se estendeu porque as taxas de juros vinham "caindo por décadas" antes mesmo da crise, reduzindo o espaço para estímulos convencionais. Com os juros no piso, disse, o Fed passou a buscar alternativas para "estimular a economia".
Ela afirmou, porém, que a pandemia "mudou tudo", ao combinar choques de oferta com uma mudança abrupta no padrão de consumo, em que as famílias reduziram gastos com serviços e passaram a demandar mais bens. "De repente, estamos em um mundo com choques de oferta substanciais" e "escassez significativa", disse. "A inflação disparou mais do que qualquer um de nós esperava."
Para Yellen, o arrefecimento dos choques tende a ajudar no processo desinflacionário, mas o cenário segue sujeito a riscos de uma "segunda rodada", especialmente se houver nova pressão via energia. "Estamos observando muito cuidadosamente as expectativas de inflação", disse.
(Com Agência Estado)
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