As ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de punição aos houthis do Iêmen, por atirarem em navios sauditas, e de ataque massivo dos EUA ao Irã, reforçaram as preocupações sobre a interrupção do fluxo de navios de petróleo nos Estreitos do Golfo Pérsico, catapultando o Brent de volta aos US$ 100, na quinta sessão de alta consecutiva.
O economista-chefe de Mercados da Capital Economics, Jonas Goltermann, aponta que a contínua alta nos preços de energia está começando a pressionar os mercados financeiros de forma mais ampla, para além do segmento de títulos. "Enquanto os bancos centrais continuam adotando uma abordagem cautelosa em relação ao novo aumento nos preços de energia, ainda há muito espaço para que a turbulência nos mercados aumente se o conflito entre os EUA e o Irã continuar a escalar", afirma.
Num dia como hoje, ter uma carteira com grande participação de empresas de commodities deu certa blindagem ao Ibovespa, que caiu bem menos do que os pares no exterior. "Os mercados globais de ações, que até agora haviam lidado com a retomada das hostilidades no Oriente Médio de forma relativamente tranquila, também caíram significativamente hoje", destaca Goltermann, para quem também pesou contra as bolsas a "resposta desfavorável" ao balanço da Alphabet divulgado na quarta (22). O Dow Jones fechou em baixa de 0,97%, o Nasdaq caiu 2,15% e o S&P 500, -1,21%.
Junto com os preços do petróleo, cresceram os receios com o cenário inflacionário global e, consequentemente, também as apostas de aperto monetário. Segundo a ferramenta do CME Group, a probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve já supera 80%.
O pessimismo com a política monetária também foi visto na curva de juros local, cujas taxas até o trecho intermediário subiram em torno de 20 pontos-base. "A perspectiva de queda mais lenta da Selic afeta em cheio ações cíclicas, como varejo e incorporadoras imobiliárias", relata Marcel Lima, especialista da Valor Investimentos.
Não à toa, Hapvida (-8,08%), Totvs (-6,37%), Assaí (-4,52%) e MRV (-4,27%) lideraram as quedas do Ibovespa. A alta dos DIs também puxou uma realização de lucros no setor financeiro, que ontem havia exibido avanço firme. Itaú Unibanco PN caiu 0,79% e Bradesco PN, -1,32%.
Já a lista das mais valorizadas era composta em boa medida por exportadoras, favorecidas pela alta do dólar, e relacionadas à cadeia do petróleo, como Vibra (+1,77%), Petrobras ON (+1,67%), Braskem PNA (+1,65%), Prio ON (+1,29%) e Brava ON (+1,03%).
Vale ON, que subiu 0,77%, também ajudou a conter as perdas do índice. O papel continuou reagindo aos dados operacionais divulgados na terça-feira, 21, tendo ainda suporte do avanço do minério de ferro.
Para Lima, da Valor Investimentos, o que se viu hoje pode ter um caráter mais conjuntural do que estrutural, com a volatilidade sendo reduzida à medida em que o mercado encontrar soluções para a questão da oferta de petróleo. "É necessário avaliar se haverá danos mais sérios às infraestruturas, mas o mercado é dinâmico. A Arábia pode abrir rotas alternativas, por exemplo", disse.
O Ibovespa fechou em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos. Na máxima, atingiu 177.896 pontos (+0,20%) e na mínima caiu 0,71%, aos 176.293 pontos. O giro financeiro somou R$ 21,15 bilhões. O índice acumula valorização de 2,73% em julho. Em 2026, apura avanço de 9,68%.
(Com Agência Estado)
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