Yellen citou a decisão da Suprema Corte americana no chamado "caso Slaughter", que, segundo ela, praticamente encerrou a independência de agências regulatórias nos EUA, mas preservou o Fed como instituição especial, não sujeita à mesma regra.
Ainda assim, ela apontou riscos concretos: Trump tentou destituir uma diretora do Fed e usou o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) para ameaçar processo criminal contra o então presidente da instituição. "Se coisas assim forem permitidas, isso eventualmente pode se tornar uma ameaça muito significativa", afirmou.
Sobre o petróleo, com o Brent perto de US$ 100 por barril em meio à escalada no Oriente Médio, Yellen disse que o aumento do preço é "um fator muito importante" pressionando a inflação. Segundo ela, o Fed costuma olhar além de choques de oferta pontuais, que tendem a gerar inflação temporária, desde que as expectativas inflacionárias permaneçam ancoradas e não surja uma espiral de preços e salários, cenário que, segundo ela, ainda não se observa no mercado de trabalho americano.
A ex-secretária ponderou, porém, que os EUA já acumulam "cinco anos seguidos" com inflação acima da meta do Fed, em meio a choques de oferta sucessivos - petróleo, tarifas e agora semicondutores -, o que torna o cenário "muito arriscado".
(Com Agência Estado)
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