A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso instaurou procedimento administrativo para apurar denúncias de supostas irregularidades envolvendo um escrivão e um investigador lotados na Delegacia de Poconé (105 km de Cuiabá). As acusações foram apresentadas por uma mulher, que relata ter sido vítima de perseguição, assédio, ameaças e outras condutas atribuídas aos servidores.
Conforme a denúncia encaminhada à Corregedoria, os episódios teriam começado após a mulher registrar um boletim de ocorrência com base na Lei Maria da Penha contra o ex-companheiro. Segundo o relato, o escrivão identificado pelas iniciais L.G.A.C. teria obtido o contato telefônico dela durante o atendimento na unidade policial e, posteriormente, passado a procurá-la fora do ambiente de trabalho.
A denunciante afirma que, em uma das ocasiões, o policial teria ido até sua residência e entregue uma porção de cocaína, dizendo que o entorpecente seria um “presente”. Segundo ela, o investigador E.T.A. estaria no veículo junto com o escrivão durante a situação, mas não teria participado da conversa.
Ainda de acordo com a denúncia, dias depois o escrivão teria feito novas abordagens e realizado investidas de cunho sexual, mesmo após ser informado de que a mulher estava grávida. Ela também relatou que o servidor teria passado diversas vezes em frente à sua residência, situação que, segundo a denunciante, teria sido percebida por moradores da região.
Em outro trecho do relato, a mulher afirma que o escrivão teria questionado sobre o paradeiro de um homem conhecido como “GTA”, apontado por ela como foragido da Justiça. A denunciante disse que tentou registrar um boletim de ocorrência contra o policial na própria Delegacia de Poconé, mas desistiu ao perceber que ele estava de plantão na unidade.
Cerca de 15 dias depois, ela retornou à delegacia para formalizar a denúncia. Entretanto, conforme seu relato, o atendimento teria sido interrompido após a chegada do policial citado. O caso, então, foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Durante a apuração administrativa, a mulher reconheceu, por meio de fotografias apresentadas pela Corregedoria, o escrivão L.G.A.C. como o policial que, segundo ela, teria feito ameaças, entregue drogas, realizado propostas de natureza sexual e oferecido dinheiro em troca de informações sobre pessoas supostamente ligadas a um garimpo.
Ela também identificou o investigador E.T.A. como o servidor que acompanhava o escrivão em algumas das abordagens, mas afirmou que ele não teria feito qualquer manifestação ou participação nas situações relatadas.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral recebeu a denúncia e adotou as medidas administrativas para apurar os fatos. A instituição destacou que o procedimento seguirá com imparcialidade, garantindo o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, sem antecipar conclusões até o fim da investigação.
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