Política Terça-feira, 15 de Novembro de 2011, 19:19 - A | A

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011, 19h:19 - A | A

MATO GROSSO

Rota da Integração ouve queixas dos 'esquecidos' do Vale do Araguaia

Governo do Estado promove expedição na tentativa de melhorar imagem em municípios; alguns deles enfrentam problemas com estradas ruins e pontes intrafegáveis. VEJA SLIDE-SHOW exclusivo de HiperNoticias

PAULO COELHO

A terceira Rota da Integração do Governo de Mato Grosso mirou em três dias desmistificar um conceito que já virou chavão: o de que o Araguaia é o “vale dos esquecidos” pelo poder público estadual.

E foi em Vila Rica (a 1.400 quilômetros ao Nordeste de Cuiabá) que o governador Silval Barbosa (PMDB) começou, na tarde de quinta feira (10) a tentar provar que o Baixo Araguaia é também prioridade na atual gestão.

Tarefa difícil diante da demanda e das reclamações dos prefeitos, especialmente quanto às condições das estradas e pontes de madeira da região, castigadas com o inicio do período chuvoso.

Situação mais crítica foi verificada entre os municípios de Serra Nova Dourada e Novo Santo Antônio.

Em Confresa, outro exemplo do caos social que foi motivado pela falta de estradas e pontes: centenas de alunos sem aula.

Explicação do governador: esse seria o resultado do avanço na produção agrícola da região. Pontes por onde passavam no máximo caminhões truck, hoje passam treminhões, muito mais pesados. Mesmo assim, os casos mais graves serão resolvidos nos próximos dias.

E a precariedade das vias e pontes do interior do Araguaia fomentaram novamente a defesa da tese de divisão do Estado. Em linhas gerais o principal argumento da maioria dos prefeitos é que, com o Estado é muito grande, torna-se praticamente impossível bem administrá-lo como um todo.

A criação do Estado do Araguaia é um sonho de realização muito difícil, na opinião da maioria desses prefeitos, já que para aprovação de um plebiscito, municípios grandes do Estado como Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá teriam que aderir a ideia, uma vez que a população média do Vale do Araguaia totaliza algo em torno de 150 mil pessoas, para um Estado de mais três milhões de habitantes, segundo o IBGE.

A defesa maior da divisão se deu em Querência, última cidade do roteiro oficial da comitiva do governador.

Vereadores e o próprio prefeito aqueceram a discussão em torno do tema, que não foi sequer mencionado pelo governador.

Silval, que no passado já defendeu a divisão territorial, dessa vez adotou o discurso da integração, dizendo que a meta de sua gestão é tornar o governo cada vez mais presente nesses municípios, ao ponto de suprir as demandas.

Mayke Toscano/Hipernotícias

Expedição do Governo de Mato Grosso percorreu várias estradas, a maioria sem condições de tráfego

Mais direto do que o governador, foi o presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PSD), para quem a divisão do Estado não é economicamente viável.

E essa integração dos municípios do Araguaia, defendida por Silval está diretamente ligada à BR-158, palco de muitos conflitos e bandeira que já ajudou a eleger várias políticos de Mato Grosso.

Porém ainda restam cerca de 200 quilômetros para serem asfaltados até que se chegue ao Estado do Pará.

Outro grande entrave para o progresso do asfalto pela rodovia federal, é quanto à causa indígena, localizada na fazenda Suiá-Missú, que tem uma dimensão de mais de 160 mil hectares. Num primeiro momento ações judiciais encabeçadas pela Funai (Fundação Nacional do Índio) impediram que o asfalto passasse por dentro daquela área.

E para não se indispor com a Justiça e destravar o andamento da pavimentação, um desvio foi projetado, contornando assim a chamada reserva indígena, mas que prevê, por outro lado, beneficiar três municípios: Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada e Alto Boa Vista.

Consequência desse impasse: mais de 700 famílias que moram na região de Posto da Mata podem ser obrigadas a abandonar o lugar onde vivem há décadas, devido à ação judicial interposta por representantes indígenas e organizações não-governamentais que consideram aquela área como sendo dos índios da Suiá-Missú e, por isso, estariam ali como invasores.

Posto da Mata é uma comunidade onde já existem igrejas, escolas, postos de combustível, comércios e até indústria de laticínios.

A possibilidade de despejo, deixou aflita a população local, que se mobilizou e interceptou a comitiva do governador, com faixas de repúdio às ONGs que defendem a causa indígena, mas que estariam passando por cima do clamor popular.

Incentivado pelo deputado José Riva, Silval encarou a população que mais o agradeceu pela defesa de seus anseios do que cobrou. Riva, o mais indignado, por sua vez, reforçou que Assembleia Legislativa continuará sendo parceira dessas famílias e integrará um grupo formado anda pelo governo do Estado e pela bancada federal de Mato Grosso, para que essas milhares de pessoas continuem ali assentadas como sempre estiveram há mais de 20 anos.

O presidente da Assembleia também defende que os índios aceitem uma nova área, oferecida pelo governo, que teria o dobro do tamanho da Suiá-Missú e fica localizada ali, na mesma região, entre os rios Araguaia e Xingú.

A comitiva da Rota da Integração foi composta por políticos da região, deputados estaduais e federais, além de jornalistas. O HiperNoticias participou do Rota da Integração a convite do Governo de Mato Grosso.

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