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Política Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026, 10:43 - A | A

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026, 10h:43 - A | A

SERVIDOR CEDIDO

Procurador investigado por receber R$ 32 mi tem salário pago pelo TCE, diz ALMT

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso esclarece que o procurador de carreira Grhegory Paiva está cedido ao TCE-MT até 2028 e que todos os custos com a remuneração são ressarcidos pelo órgão de controle

BIANCA MORTELARO
Da redação

Reprodução

GRHEGORY PAIVA PIRES MOREIRA MAIA.jpg

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) informou que a remuneração do procurador de carreira Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, preso nesta quinta-feira (29) durante a Operação Tomada de Contas, é de responsabilidade do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), mediante reembolso ao Legislativo. Apontado pela Polícia Federal como o maior beneficiário individual de pagamentos suspeitos na Corte de Contas, o servidor está cedido ao órgão desde fevereiro de 2020, com vínculo renovado até janeiro de 2028. 

A investigação apura um suposto esquema de desvios de recursos públicos que teria movimentado R$ 75,8 milhões em menos de dez meses. Conforme o Portal da Transparência do TCE-MT, no mês de setembro o consultor jurídico-geral recebeu R$ 13.973,78 de remuneração.

Em nota encaminhada à imprensa, a ALMT esclareceu que, embora Grhegory pertença ao quadro efetivo de procuradores do Legislativo, as despesas decorrentes de sua atuação no Tribunal de Contas são atribuídas ao órgão que recebe seus serviços. A Casa também confirmou que a cessão foi prorrogada sucessivamente e permanece formalmente vigente.

“A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) informa que o servidor Grhegory Paiva Pires Moreira Maia está cedido ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) desde 1º de fevereiro de 2020, conforme o Termo de Cessão nº 01/2020/ALMT/TCE”, informou.

LEIA MAIS: PF apura uso de holding e criação de cavalos para ocultar R$ 32 milhões de consultor do TCE-MT 

A Assembleia acrescentou que o vínculo foi renovado por três termos aditivos, sendo o último com validade até 31 de janeiro de 2028, mesmo período previsto no documento publicado no Diário Oficial do Legislativo em dezembro de 2025.

“As despesas com a remuneração do servidor são de responsabilidade do Tribunal de Contas, mediante reembolso à ALMT”, destacou a instituição.

A informação sobre a responsabilidade pela remuneração surge após a prisão de Grhegory, que exerce a função de consultor jurídico-geral do TCE-MT e é investigado por sua suposta participação em um esquema de movimentação irregular de recursos públicos dentro da instituição.

Segundo a Polícia Federal, o procurador recebeu R$ 32.310.120,43 em pagamentos considerados suspeitos entre janeiro e outubro de 2025. Desse montante, R$ 31.644.860,90 teriam sido transferidos por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas entre 12 contas mantidas em nove instituições financeiras.

A movimentação foi identificada durante as investigações que embasaram a Operação Tomada de Contas, deflagrada após autorização do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão judicial, obtida pelo HNT, aponta Grhegory como o maior beneficiário individual das transferências investigadas.

Além dos repasses bancários, a investigação identificou um crescimento patrimonial considerado incompatível com a movimentação analisada. Conforme os dados reunidos pela PF, o patrimônio do consultor passou de R$ 1,84 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões em outubro do mesmo ano.

As suspeitas também são sustentadas por imagens de câmeras de segurança de uma agência do Sicoob instalada nas dependências do TCE-MT. Os registros mostram o servidor recebendo e colocando blocos de dinheiro em espécie dentro de uma mochila, situação examinada pelos investigadores para apurar a origem e a destinação dos valores.

A PF ainda identificou movimentações relacionadas a empresas ligadas ao entorno familiar do investigado, entre elas uma holding e uma empresa voltada à criação de cavalos e à comercialização de material genético animal. A suspeita é de que estruturas empresariais tenham sido utilizadas para ocultar ou dissimular recursos, hipótese que segue sob investigação.

Apesar de esclarecer a responsabilidade financeira pela cessão do procurador, a nota da Assembleia não informa se haverá revisão do vínculo funcional após a prisão ou quais providências administrativas poderão ser adotadas em relação ao servidor.

OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

A operação foi deflagrada na quinta-feira (29) para investigar um suposto esquema de desvios e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da cúpula do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Conforme a Polícia Federal, as irregularidades estariam relacionadas à utilização de contratos administrativos e a uma suposta folha paralela de pagamentos, com movimentações realizadas fora dos procedimentos habituais de remuneração.

Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, os investigadores identificaram R$ 75,8 milhões em transferências consideradas suspeitas. A apuração aponta que fornecedores teriam sido pressionados a devolver parte dos valores recebidos em contratos com a instituição, enquanto recursos também teriam sido repassados por mecanismos financeiros utilizados para despesas administrativas.

Além de Grhegory e do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, foram presos preventivamente Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

NOTA

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) informa que o servidor Grhegory Paiva Pires Moreira Maia está cedido ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) desde 1º de fevereiro de 2020, conforme o Termo de Cessão nº 01/2020/ALMT/TCE.

A cessão foi renovada por meio de três termos aditivos, sendo o mais recente válido até 31 de janeiro de 2028. As despesas com a remuneração do servidor são de responsabilidade do Tribunal de Contas, mediante reembolso à ALMT.

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