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Política Sexta-feira, 27 de Dezembro de 2024, 11:08 - A | A

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Sexta-feira, 27 de Dezembro de 2024, 11h:08 - A | A

PROJETO POLÊMICO

Por 15 x 9, vereadores aprovam projeto que torna secreto voto para Mesa Diretora

Projeto teve resistência dos parlamentares aliados ao prefeito eleito, Abilio Brunini (PL)

RAYNNA NICOLAS
Da Redação

Reprodução

camara de cuiaba

Por 15 votos sim e nove votos não, os vereadores de Cuiabá aprovaram, nesta quinta-feira (27), o projeto de lei que altera o regimento interno da Câmara Municipal e torna secreto o voto para eleição da Mesa Diretora. Projeto teve resistência dos parlamentares aliados ao prefeito eleito, Abilio Brunini (PL). Vereadores das bancadas do PL e do União Brasil foram orientados a votar contrários à proposta. Já os favoráveis argumentaram que o projeto garante a independência da Câmara. 

"Proteger o voto do vereador para que ele não tenha que se posicionar sobre como votou é blindar o vereador análise da população. Eu não vejo ganhos para o povo cuiabano que votemos uma pauta, em caráter emergencial, na última sessão do ano, uma pauta que não traz benefícios à população", falou a vereadora Maysa Leão (Republicanos) durante a discussão.

Ela ainda acusou o projeto de atender interesses de alguns vereadores no momento em que se aproxima a eleição da próxima Mesa Diretora, marcada para o dia 1º de janeiro. O vereador Dilemário Alencar (UB) seguiu o mesmo tom e disse que a população espera transparência de seus vereadores. Segundo ele, o voto secreto representa um retrocesso no Legislativo cuiabano. 

Michelly Alencar (UB) também reforçou seu posicionamento contrário à matéria. Segundo ela, a matéria não tem interesse social ou relevância que justifiquem a votação em sessão extraordinária. "Eu quero só reforçar aqui que estamos modificando uma conduta que já era tida como uma conduta padrão que era o voto aberto durante a escolha da Mesa Diretora. Estamos sim retrocedendo porque, ao invés de inspirarmos outras casas, estamos pegando exemplo de outras casas que diminuem a transparência. Sou contra o voto secreto, principalmente dias antes de uma votação da Mesa", disse. 

O vereador Fellipe Corrêa também participou da discussão se posicionando contrário à proposta e à sua legalidade.

Jefferson Siqueira (PSD) defendeu o projeto alegando que a proposta mantém a independência da Câmara. O vereador citou a interferência do prefeito eleito Abilio Brunini (PL) nas eleições da próxima Mesa. Abilio costurou uma chapa feminina com a novata Paula Calil (PL) como candidata à presidência. Além disso, Abilio tentou minar as chances de Jefferson para concorrer ao cargo o associando ao Comando Vermelho. 

O último a participar da discussão foi Lilo Pinheiro (PDT) que participa da Comissão de Constituição, Redação e Justiça (CCRJ) e saiu em defesa do parecer favorável à aprovação, garantindo isenção e legalidade do documento. 

QUESTÕES REGIMENTAIS 

Michelly Alencar, Maysa Leão, Dilemário Alencar e Fellipe Corrêa usaram as justificativas de voto para alegar nulidade na votação. Segundo os parlamentares, a matéria precisaria de 17 votos, isto é, 2/3 da Câmara para a aprovação, conforme o regimento interno da Casa. 

"Estamos fazendo uma modificação no próprio regimento interno que está sendo desconsiderado nessa votação. Estamos usando o regimento interno como base na apresentação de uma matéria e desconsiderando o regimento interno na hora de votar ela. Quinze votos não aprovam a matéria", falou Michelly. 

Questionado, Rodrigo Arruda e Sá (PSDB), que assumiu a presidência da sessão, negou que o regimento interno estabeleça o quorum alegado pelos colegas. "Qualquer dúvida o senhor pode questionar judicialmente", disparou a Fellipe Corrêa. 

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