O vereador de Cuiabá Rafael Ranalli (PL) afirmou que não foi oficialmente notificado nem indiciado, até o momento, pela Polícia Civil ou Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) após ser denunciado por publicar um vídeo falso que associava o Partido dos Trabalhadores (PT) a um suposto “ritual de invocação”. O parlamentar minimizou a denúncia e disse estar “acostumado” a receber denúncias, ao relembrar outros episódios motivados por suas publicações nas redes sociais que foram para a Justiça.
“Cada semana acho uma coisa sobre mim, eu não sei se tem gente aqui preocupada comigo demais, primeiro não foi afrodescendente, porque senão já vão chamar eu de racista, não foi nada disso, e outra, pelo amor de Deus, eu não fui indiciado a nada e nem comunicado oficial de nada, denúncia do MP, das autoridades competentes, qualquer um pode fazer a qualquer momento”, disse o vereador, nesta quarta-feira (22).
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O vereador também afirmou que compartilhou o vídeo sem saber que as imagens estavam fora de contexto e que retirou a publicação depois de descobrir que o conteúdo era falso, além de publicar uma retratação nas próprias redes sociais.
“Eu vi por alto em matéria jornalística que alguém denunciou, porque eu repostei um vídeo, o vídeo que eu mesmo depois tive a informação que era fake, eu entrei e falei: ó, o vídeo é fake, tô tirando, tá aqui a realidade, tá explicado. Eu mesmo costumo fazer, venho aqui e faço as escusas quando eu posto um vídeo que minutos depois, horas depois, vem a prova que é fake, porque a gente tá num momento abrupto de eleição”, argumentou.
Questionado sobre a responsabilidade de checar informações antes de publicá-las, especialmente por exercer mandato parlamentar e ter formação em jornalismo, Ranalli disse que fez uma verificação inicial, mas reconheceu que posteriormente constatou que o material era inverídico.
“Eu pesquisei, olhei e falei, cara, é real, aí de repente não é, eu vou e tiro sem problema nenhum e botei lá: ‘gente isso aqui é inverídico, não é verdade, é fake’. Até por isso eu retirei a postagem. Como eu fiz no outro dia também, do Nordeste, que me criticaram muito, era uma crítica política, que vários sites colocaram, era uma coisa de internet, fui reclamar, eu retirei sem problema nenhum, não preciso fazer celeuma sobre isso”, afirmou.
Ao justificar que não se surpreende com novas denúncias, Ranalli citou outros episódios envolvendo suas declarações públicas.
“Igual teve esses dias também de uma repostagem, foi uma crítica política do Nordeste também, falaram que me denunciaram, porém não fui comunicado de nada oficialmente, teve aquela denúncia da época do projeto que proíbe trans no esporte feminino, então cara, eu já tô acostumado, agora indiciado, eu nunca fui indiciado em nada”, concluiu.
ENTENDA
A representação encaminhada à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) questiona a publicação de imagens de uma apresentação do cantor Joia de Couro durante a 4ª Marcha para Exu, realizada em 17 de agosto, na Avenida Paulista, em São Paulo. O vereador compartilhou o vídeo com a frase “Campanha de Lula vira ritual de invocação”, embora as imagens não fossem de uma manifestação do PT.
Agências de checagem classificaram como falsa a associação entre o vídeo e um ato político do partido. Após a circulação do conteúdo, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha determinou a remoção da publicação. Ranalli apagou o vídeo e divulgou uma errata esclarecendo que as imagens não eram da manifestação do PT.
Em maio, a Polícia Civil abriu investigação sobre supostas ofensas verbais atribuídas ao parlamentar contra o vereador Daniel Monteiro (Republicanos), na Câmara de Cuiabá. Em outubro, o Ministério Público também foi acionado por causa de declarações sobre moradores da região Nordeste. Ranalli ainda responde a uma ação movida pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso e pela Defensoria Pública do Estado, relacionada a declarações feitas durante a discussão de um projeto sobre sexo biológico em competições esportivas.
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