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Política Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026, 10:54 - A | A

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026, 10h:54 - A | A

INTERFERÊNCIA DOS EUA

“Muito perigoso”, diz Avallone sobre proposta para enquadrar facções como terroristas

Tucano questionou os ganhos práticos da proposta enviada pelo governador Otaviano Pivetta e alertou para os riscos de interferência internacional na segurança do país

BIANCA MORTELARO
Da Redação/ Do Local

HNT

CARLOS AVALLONE

O deputado estadual reeleito Carlos Avallone (PSDB) se posicionou contra o projeto de lei encaminhado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que pretende classificar facções criminosas como organizações terroristas. Nesta quarta-feira (28), o parlamentar questionou os efeitos práticos da proposta no combate ao crime organizado e alertou para o risco de uma eventual interferência dos Estados Unidos no Brasil.

Embora tenha manifestado resistência à medida, o deputado ressaltou que ainda pretende analisar o conteúdo do projeto antes de definir seu posicionamento.

“A princípio eu sou contra, quero entender como é que é esse projeto. Eu acho muito perigoso a gente classificar de terrorismo, de terrorista, quando tem ameaças dos Estados Unidos em fazer esse combate. Que tipo de combate é esse? Como que vai fazer? Ele vai descer com as tropas americanas nos morros do Rio de Janeiro, morro de São Paulo, aqui em Mato Grosso, para ele ajudar a acabar com o terrorismo? É muito perigoso isso”, declarou.

LEIA MAIS: Pivetta quer classificar facções criminosas como terroristas em Mato Grosso

Avallone argumentou que a mudança de classificação precisa ser acompanhada de medidas concretas para fortalecer a segurança pública e demonstrou preocupação com possíveis consequências internacionais da proposta, especialmente diante de declarações atribuídas por ele ao governo norte-americano.

“A interferência é muito grande. E tem ameaças disso feitas pelo próprio governo americano. Então nós temos que tomar um certo cuidado com isso. E aqui no Estado ver o que isso ajudaria a fazer o combate. Você só colocar o nome de terrorista, muda o quê? Então tem que tomar muito cuidado com uma decisão dessa”, afirmou.

O projeto foi encaminhado por Pivetta à ALMT na última quinta-feira (22) e prevê o reconhecimento inicial de duas facções criminosas como organizações terroristas, com possibilidade de inclusão de outros grupos. Segundo o Governo de Mato Grosso, a iniciativa busca permitir que as forças de segurança adotem protocolos específicos de enfrentamento ao crime organizado, além de fortalecer a cooperação com autoridades estaduais, nacionais e internacionais.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de a medida ter efeitos mais simbólicos do que práticos, Avallone voltou a criticar a iniciativa. Para o deputado, uma mudança na classificação das organizações criminosas deveria demonstrar quais recursos ou instrumentos adicionais seriam disponibilizados para combater suas atividades.

“Eu acho que isso é mais grave ainda. Porque se tivesse alguma coisa que vai entrar com tantos recursos, nós vamos aumentar. Mas é uma coisa a se pensar. Agora, só dizer, a partir de agora é narcoterrorista, qual é a vantagem disso? A não ser propiciar uma interferência maior estrangeira no Brasil?”, questionou.

O deputado concluiu relacionando o debate sobre segurança pública ao cenário político após as eleições, defendendo que os gestores considerem a manifestação dos eleitores ao estabelecer suas prioridades.

“Nós temos que tomar muito cuidado com isso. Na realidade, nós temos que entender o recado das urnas. Se os governos não entenderem o recado da urna, têm a tendência de errar novamente”.

O projeto ainda depende de análise e votação na Assembleia Legislativa.

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