O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso José Medeiros (PL) afirmou que o prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), intermediou um encontro entre ele e o irmão, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Recentemente, a conversa entre Medeiros e Chico teve trechos comprometedores vazados. Em um deles, o candidato ao Senado afirma não atacar o STF e, em outro, diz que os próprios eleitores "bebem detergente" e "oram para alienígenas".
Segundo Medeiros, ele teria recorrido a Chico depois de ser informado de que seria alvo de uma operação a mando de Gilmar. Agora, o deputado tenta inverter a polêmica dos áudios e anunciou que pedirá a investigação do ministro.
“Chegou até mim o seguinte, que [uma liderança política] teria comentado [...] que haveria uma operação na minha casa, sabe? A mando do Gilmar. Bom, como a forma como o STF tem conduzido as coisas, eu realmente me assustei. Eu liguei para o Chico e falei: Chico, eu preciso de uma audiência com o Gilmar. Tem como você conseguir? E ele me atendeu muito bem”, relatou em entrevista ao RepórterMT, nesta terça-feira (22).
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Medeiros afirmou que, diante dos rumores, decidiu procurar diretamente o ministro para verificar se havia alguma investigação ou operação contra ele, mas Gilmar negou qualque ação contra o parlamentar.
“Ele [Chico] conseguiu [o encontro], fui lá no ministro. Falei: ministro, dizem que boato se mata na fonte e tal, quero saber o que está acontecendo. Ele desconversou e falou: não, não tem nada disso e tal (...) Voltei tranquilo de que não haveria tal operação”, afirmou.
Em publicação nas redes sociais, o deputado também mencionou a suposta operação e ressaltou que não há nenhuma investigação em andamento envolvendo seu nome.
O parlamentar, por outro lado, disse que pretende protocolar uma representação para pedir investigação sobre o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e contratos institucionais relacionados a Gilmar Mendes. A iniciativa, segundo Medeiros, será apresentada como forma de apurar eventuais irregularidades e assegurar tratamento isonômico na fiscalização de autoridades públicas.
ENTENDA
A repercussão começou após a divulgação de trechos de uma conversa entre Medeiros e Chico Mendes pelo Portal Metrópoles. Em um dos áudios o candidato afirma que evita fazer críticas ao STF em seus materiais de campanha e relata ter orientado sua equipe de marketing a retirar menções à Corte dos textos que seriam gravados, porém, diz que abriria uma exceção para o ministro Alexandre de Moraes. O parlamentar confirmou a autenticidade deste primeiro áudio após a divulgação.
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No dia seguinte, outro trecho da mesma conversa veio a público e passou a repercutir nas redes sociais. Na gravação, Medeiros faz referência ao próprio eleitorado ao dizer: “Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico”. O áudio foi divulgado por diferentes veículos na terça-feira (22).
As expressões citadas pelo parlamentar fazem referência a episódios que circularam nas redes sociais envolvendo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A menção aos “alienígenas” remete às manifestações realizadas após as eleições de 2022, quando participantes utilizaram celulares e lanternas voltados para o céu.
Já a referência ao “detergente” está relacionada a um vídeo que circulou em 2026 envolvendo um apoiador durante a repercussão de medidas sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra produtos da marca Ypê.
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