O deputado estadual Júlio Campos (UB) reagiu às críticas feitas pelo ex-governador Mauro Mendes (UB) e afirmou que as referências à sua idade representam uma forma de discriminação contra os eleitores da terceira idade. A declaração foi dada nesta quarta-feira (17), em meio ao acirramento da disputa interna no União Brasil sobre a sucessão estadual de 2026.
“Eu acredito que ele realmente está discriminando 50 mil eleitores de Mato Grosso que têm o título registrado, o eleitor da terceira idade vota. E esse segmento da terceira idade, que são pessoas acima de 60 anos, tem que olhar essas pessoas que discriminam a todos nós, que estamos com consciência”, ressaltou Campos.
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A tensão entre os aliados escalou após Mendes desautorizar a proposta de antecipar as definições partidárias para junho, alegando falta de previsão estatutária e questionando a influência política dos irmãos Campos. O embate também assumiu contornos pessoais após Mauro Mendes mencionar que Júlio, aos 80 anos, estaria "falando muita besteira".
Em resposta, Campos converteu o fator idade em um testemunho de vitalidade e prestígio, desejando ao correligionário o mesmo êxito que acredita ter alcançado em sua maturidade política.
“Eu gostaria de dizer o seguinte, rogo a Deus que o Mauro Mendes chegue aos 80 anos de idade, com a mesma inteligência, com a mesma disposição de trabalho, com o mesmo prestígio político perante o povo de Mato Grosso, como Júlio Campos chegou”, declarou.
O pano de fundo desse atrito é o compromisso público de Mauro Mendes e da ex-primeira-dama Virginia Mendes com a candidatura de Otaviano Pivetta, o que é visto pela família Campos como um entrave à autonomia da União Brasil. Júlio Campos defende que o apoio de Mendes a Pivetta seja uma decisão de cunho pessoal, sem amarrar a sigla.
“Ninguém proibiu Mauro Mendes de apoiar no seu CPF o candidato dos republicanos, Pivetta. Ninguém falou expulsá-lo do partido, ninguém falou enquadrar ele na Lei de Fidelidade Partidária, não. Ele está liberado. Agora, o partido quer ter um candidato forte a governador até para nós elegermos dois ou três federais e quatro ou cinco estaduais. Sem candidato a governador, nós corremos o risco de fazer um federal e dois estaduais”, concluiu Campos.
A disputa interna segue sem consenso, com ameaças de retaliação que incluem até o possível veto à futura candidatura de Mauro Mendes ao Senado, caso o grupo dos Campos sinta que Jayme está sendo preterido de forma antidemocrática. Enquanto Mendes aposta em sua gestão para consolidar seu projeto político, Júlio Campos sinaliza que a maioria do diretório estadual (cerca de 33 dos 52 membros) pode ser usada para garantir que o partido tenha um nome próprio na disputa majoritária.
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