O senador Jayme Campos (UB) adotou um tom moderado ao comentar, em entrevista exclusiva ao HNT, a crise interna no União Brasil provocada pelo embate público entre seu irmão, o deputado Júlio Campos, e o ex-governador Mauro Mendes. Diferente da postura incisiva de Júlio, Jayme minimizou a existência de um racha e reafirmou seu desejo de disputar o Palácio Paiaguás, defendendo que a escolha ocorra de forma harmônica dentro das instâncias partidárias, enquanto Mendes mantém o apoio à sucessão de Otaviano Pivetta (Republicanos).
“Não tem impasse nenhum [com Mauro], eu sou do União Brasil. Eu já sou filiado do partido e preencho todos os requisitos que a lei exige. É evidente que o partido no momento certo da convenção, vai ter a sua candidatura própria. E espero que eu possa ser escolhido de forma democrática, para que eu possa bem representar o meu partido nessa eleição de 2026”, declarou Jayme, em entrevista nesta segunda-feira (15).
O cenário de tensão no partido escalou após Júlio Campos, alegando ter o apoio de 33 dos 52 membros do diretório estadual, articular uma pré-convenção para junho para forçar a viabilização do nome de Jayme. O deputado chegou a ameaçar a futura candidatura de Mauro Mendes ao Senado, afirmando que, caso o irmão fosse barrado, o ex-governador sofreria uma derrota na convenção oficial.
Mauro Mendes reagiu classificando as falas de Júlio como "bobagem", afirmando que o correligionário está "blefando" e enterrando a ideia de antecipação por falta de previsão no estatuto da sigla. Já o senador Jayme defendeu a tese de Júlio, justificando que a espera pelo prazo legal pode prejudicar o planejamento logístico e financeiro dos candidatos.
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“A partir de 20 de julho a 4 de agosto é o prazo que está regulamentado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. O que nós estamos propondo, tendo em vista que ainda vai demorar muito, até mês de julho, nós queremos antecipar, através, naturalmente, de um diálogo, um bom entendimento, para que pudéssemos já, definitivamente, estar assim, assegurado, tanto a minha candidatura como a de outras pessoas, para senador, deputado federal, deputado federal. E demorando muito, com certeza, todo mundo vai ter sua dificuldade”, declarou.
O impasse é acentuado pelo compromisso de Mauro Mendes com o atual vice-governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), aliança reforçada publicamente pela ex-primeira-dama Virginia Mendes, que rechaçou qualquer possibilidade de "traição" ao aliado. Jayme revelou que a comunicação direta com o ex-governador sobre o aceno ao Pivetta ainda não ocorreu, dependendo do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (UB) para mediar a situação.
“Eu confesso que eu não conversei com o Mauro em relação a esse assunto. Quem foi fazer essa interlocução, era o deputado Dilmar Dal Bosco, que se propôs fazer essa conversação, e após o início desse diálogo, dessa busca de entendimento, nós vamos sentar para, com certeza, de forma muito respeitosa, de forma harmoniosa, termos uma candidatura que possa representar o sentimento da nossa convenção partidária”, explicou o senador.
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