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Política Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026, 17:26 - A | A

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RESGATADO POR FAGUNDES

Bolsonarista "raiz" diz não se arrepender de passado no PT: “depois dos 40, só os burros precisam”

Médico bolsonarista afirma não se arrepender de antiga militância de esquerda, atribui mudança de posicionamento ao Mensalão e à Lava Jato e relembra "resgate" feito por Wellington Fagundes no PL em 2013

BIANCA MORTELARO
Da redação/Do local

Montagem HNT

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O médico Alencar Farina (PL) admitiu que não guarda arrependimentos de sua antiga trajetória política no Partido dos Trabalhadores (PT), classificando a fase como uma tendência natural da juventude que foi superada pelo amadurecimento. Atualmente consolidado como uma liderança do "bolsonarismo raiz" em Mato Grosso, Farina justificou sua mudança ideológica como um processo de decepção com escândalos de corrupção e creditou sua transição à direita à influência intelectual do escritor Olavo de Carvalho.

A trajetória eleitoral do médico inclui uma disputa pela vice-prefeitura de Cuiabá em 2004, em uma coligação que reunia PT, PL e PCdoB, além de uma candidatura majoritária à prefeitura de Várzea Grande pela sigla petista. Ao comentar esse histórico, Farina defendeu que a visão de mundo socialista é comum em certa etapa da vida.

“Eu não me arrependo do meu passado. Dizem que quando somos jovens, todos nós temos um pouco de socialismo, né? Depois dos 40, 45, só os burros precisam. Então, passei pelo PT, passei pelo PL e fui coligado com o PT”, disparou o médico, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (13).

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Farina explicou que suas movimentações partidárias entre 2004 e 2008 também foram influenciadas por questões de viabilidade eleitoral das chapas locais, mas que o cenário mudou com o surgimento de escândalos nacionais, como o Mensalão e a Operação Lava-Jato.

“Depois eu tive um lapso e fui para o PT, mas não era problema de lapso não, é que a chapa do PL da época para prefeito, em 2008, estava com dificuldade e a chapa do PT tinha uma possibilidade, então eu fui para o PT, porque o PT estava junto ao PL. Mas depois veio o Mensalão, veio uma série de coisas e veio a Lava Jato. E aí nós começamos a acordar”, relembrou.

Segundo o médico, o ponto de inflexão definitivo ocorreu através do contato com as ideias do escritor Olavo de Carvalho, que teria servido como ponte para sua adesão ao projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Nós vimos que Lula, PT e ladrão é a mesma coisa. Então nós acordamos, e aí eu lembro muito bem o Olavo de Carvalho, eu sou discípulo dele, comecei a ler o Olavo de Carvalho, e me apresentou um cara chamado Jair Bolsonaro. Apresentou assim nas palavras dele, né? E aí a gente começou a enxergar um pouquinho o que é a esquerda nacional e mundial, e começamos a ver a direita de uma outra maneira”, afirmou.

Questionado sobre sua permanência no PL mesmo após a condenação de Valdemar da Costa Neto no esquema do Mensalão, Farina admitiu que cogitou deixar a sigla, mas que foi "resgatado" pelo senador Wellington Fagundes em 2013, permanecendo na legenda desde então.

“Pensei, eu saí e fui pro PT. Depois eu não fui por outra coisa, foi na Lava Jato, né? Quando vem a Lava Jato, aí sim. Aí o Wellington me resgatou. Ele foi lá em 2013, me resgatou e falou assim: ‘você não pode cair de novo?’ Não, Wellington, eu já saí, eu preciso de um partido, lógico. ‘Não, você vai vir pra cá de novo, você nasceu aqui, vai voltar pra cá’. E foi isso que aconteceu, e estou até hoje”, concluiu.

Farina chegou a ser indicado como vice-governador na chapa de Wellington Fagundes para as eleições atuais, mas acabou substituído pelo empresário Reinaldo Morais (Novo) após impedimentos jurídicos relacionados à sua atuação como médico do SUS e empresário da saúde.

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