O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), declarou que cerca de R$ 49 milhões foram pagos nos materiais didáticos alvo de uma investigação por suposta fraude na Secretaria Municipal de Educação. Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (29), Brunini detalhou que os recursos foram priorizados em detrimento de necessidades básicas da rede de ensino e contextualizou a situação jurídica de Amauri Monge Fernandes, ex-secretário da pasta, que possui um histórico de processos por improbidade administrativa em outro estado.
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O prefeito criticou a escala de prioridades da gestão anterior da secretaria, apontando que o pagamento de materiais didáticos foi antecipado enquanto demandas estruturais foram negligenciadas.
“Ao invés de priorizar a recuperação das unidades escolares, ao invés de priorizar material de emprego, ao invés de priorizar o pagamento do fornecimento de alimentação, ao invés de priorizar o transporte escolar, foi priorizado o pagamento desse material didático. E olha só, pagou 21 milhões de reais em janeiro de material didático, mas não se pagou os materiais necessários para a volta às aulas. Então, essa é uma preocupação nossa, que fez com que a gente se possitivasse”, declarou Abilio.
O caso, que envolve indícios de sobrepreço e compras excessivas incompatíveis com a demanda da rede municipal, segue sob auditoria e os dados devem ser encaminhados a órgãos de controle como o Ministério Público e a Polícia Federal. Amauri Monge, em ocasiões anteriores, negou irregularidades e classificou as denúncias como "ilações".
“Eu não posso afirmar que o material que vai ser perdido, eu não posso fazer essa afirmação. Eu preciso que o Ministério Público e o Tribunal de Compras afirmem se esse material é justificável ou não. O que eu posso afirmar é que boa parte desse material não se enquadra com o modelo de ensino que nós estamos fazendo. E se ele não se enquadra, se poderá ser aproveitado, uma vez que já foi pago, ou se ele vai ser mais utilizado, ou aguardar um momento certo por isso, porque já foi pago esse material. Já foi pago R$ 49 milhões de reais”, afirmou o prefeito da capital.
O ex-secretário já havia sido alvo de uma decisão da Justiça do Paraná que determinou o bloqueio de quase R$ 1 milhão de suas contas por suposta participação em um esquema de desvio de verbas no Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná (Codinorp), em 2018. Na ocasião, ele foi acusado de direcionar um chamamento público para o fornecimento de material didático de forma ilícita.
Abilio explicou que tinha conhecimento das denúncias de outros estados, mas que pesou a favor de Amauri sua passagem pela administração estadual de Mato Grosso sem intercorrências.
“Nós recebemos sim a denúncia de que a secretária respondia em outro estado, mas ele teve cinco ou seis anos dentro do governo do estado de Mato Grosso e não tinha nenhuma denúncia sobre ele. Então, o que nós identificamos é que havia uma suspeição do governo do estado, há seis anos atrás, antes de ele estar no estado de Mato Grosso. E não havia uma condenação, não havia nada”, justificou.
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Apesar de reconhecer a capacidade do ex-auxiliar, o prefeito afirmou que o avanço das investigações internas mudou o cenário.
“A competência técnica dele, sobre gerir uma secretaria de educação, a competência técnica sobre o conhecimento da educação é muito grande. Então, a gente foi falar toda a informação que nós tínhamos sobre sua competência, seu tipo. Mas, no dia em que a gente notified que havia alguma suspeição de algumas coisas, o alerta foi acendido e terminamos a controladoria”.
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