O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), manifestou apoio à medida de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, anunciada pelo governo dos Estados Unidos nesta quinta-feira (28). Brunini questionou os opositores que classificaram a ação como uma interferência externa à soberania brasileira e os reflexos econômicos que podem surgir com a decisão norte-americana.
“Eu não entendo qual é a lógica, qual é a economia que vai ser prejudicada? Se você está combatendo o crime organizado, se você está combatendo a facção criminosa, como isso vai prejudicar a economia do país? Então não se pode combater bandido porque vai prejudicar a economia? Qual é a economia que essas pessoas estão preocupadas? De repente a economia do grupo político deles, de repente a economia do grupo de investidores deles”, indagou o prefeito, em coletiva nesta sexta-feira (29).
O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que as facções brasileiras não possuem motivação ideológica, política ou religiosa e, por isso, não se enquadram na definição legal de terrorismo no Brasil. Porém, na interpretação de Abilio, o crime organizado segue à risca todas as características mencionadas.
“Aqui no Brasil, eles ordenam, organizam, cobram, cobram para que um mercadinho possa funcionar, para que uma costureira possa trabalhar. Então cobra-se taxinhas para que possa continuar funcionando. Dominam territórios, dão salves, matam, assassinam. Tem um próprio júri, tem um próprio tribunal paralelo. Então assim, tem todas as características de uma organização terrorista”, disse.
Indagado acerca da oposição do Presidente da República Luís Inácio Lula (PT) à medida, Brunini foi enfático ao relacionar o ciclo de amizades e relacionamentos em torno do petista às facções, mencionando a prisão recente da influenciadora Deolane Bezerra.
“É só você observar o ciclo de amizades em torno do Lula, que tem opiniões contrárias a isso. Você tem aí aquela advogada, influencer famosa lá, que é a Deolane, que tira foto com ele e ele fica feliz com ela, e eles registram e falam que são próximos e ela está presa por ser uma das pessoas envolvidas com uma organização criminosa dessa”, justificou.
Pela legislação brasileira, a Lei Antiterrorismo define terrorismo como atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com o objetivo de provocar terror social ou generalizado. Autoridades brasileiras sustentam que facções como PCC e CV atuam com finalidade econômica, especialmente por meio do tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes financeiros.
Nos bastidores, integrantes do governo federal tentavam evitar a adoção da medida. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a classificação pode abrir margem para maior influência dos Estados Unidos em ações relacionadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado no Brasil.
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