O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) rebateu a denúncia de “pedaladas” de R$ 100 milhões ventilada pelo ex-secretário de educação Amauri Monge durante esclarecimentos prestados à Câmara Municipal nesta quinta-feira (28). Segundo Amauri, a denúncia do suposto desvio de R$ 80 milhões para compra de livros foi criada pela prefeitura para funcionar como "cortina de fumaça" ao que realmente ocorre na Educação.
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Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (29), Abilio negou qualquer irregularidade e sustentou que o que houve foi uma inversão de prioridades por parte da gestão anterior da secretaria. Segundo o prefeito, enquanto unidades escolares sofriam com infraestrutura precária e falta de materiais básicos, grandes somas foram destinadas à aquisição de materiais didáticos que não eram urgentes.
“Se você tem um orçamento de R$ 3 milhões para manutenção e reforma, como que você pega do dinheiro que você recebe da prefeitura, R$ 21 milhões, e paga de uma vez livros que não são prioridade naquele momento? Esse questionamento é o que nós fazemos. Aí alguém pergunta: 'Ah, Abilio, isso é uma cortina de fumaça para esconder uma possível pedalada fiscal ou alguma coisa que tenha sido feita sobre o orçamento da educação'. Não, de modo algum”, declarou o prefeito.
O gestor detalhou o funcionamento do orçamento da Educação para justificar a existência de débitos pendentes, explicando o impacto dos “restos a pagar” na transição de exercícios financeiros.
“O orçamento da educação, ele funciona da seguinte forma: no ano de 2025, nós tínhamos um orçamento de quase R$ 1 bilhão, só que nós tínhamos dívidas que era o resto a pagar de 2024. Essas dívidas de 2024 precisam ser cumpridas para que as empresas não interrompam o fornecimento de alimentação e não interrompam o serviço de transporte público. Então, dentro do R$ 1 bilhão que você tem de orçamento, você tem equivalente R$ 1 bilhão também para execução financeira”, pontuou.
Abilio explicou que a execução financeira de 2025 ficou sobrecarregada ao quitar compromissos herdados do ano anterior, o que naturalmente empurra novas obrigações para o ciclo seguinte. Segundo o prefeito, esse desequilíbrio é técnico e transparente, não configurando omissão de dados.
“Só que a execução financeira, ao pagar resto, ela desequilibra a aplicação da execução financeira com o orçamento. Então, pagamos o resto ao pagar de 2024 para iniciar o funcionamento da execução financeira do orçamento de 2025. E quando você tem essa diferença no final do ano, as dívidas de novembro e dezembro são transferidas para o ano de 2026 como o resto a pagar, da diferença daquela aplicação de orçamento da execução orçamentária”, esclareceu o gestor.
Por fim, Brunini enfatizou que todos os dados financeiros citados por Amauri Monge como irregulares constam nos órgãos de controle oficial.
“Essa diferença de praticamente uns R$ 100 milhões, ela está declarada no balanço da prestação de contas do município de Cuiabá. Ela está declarada na informação que informamos o Seafic, informamos o Tribunal de Contas, ou seja, o que se fala de pedalada fiscal, mandou o seu orçamento mas não mandou o dinheiro, seria pedalada se fosse uma coisa omitida. Mas em nenhum momento a gente escondeu”, concluiu Abilio, reforçando que a prefeitura atingiu a aplicação de 26,5% do orçamento na educação, superando o mínimo constitucional de 25%.
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