O ex-secretário de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, denunciou 'pedaladas' de R$ 100 milhões do prefeito Abilio Brunini (PL) na pasta. Amauri atendeu convocação do vereador Ilde Taques (Podemos) e compareceu à Câmara, nesta quinta-feira (28), para esclarecer o suposto desvio de R$ 80 milhões para compra de livros exposto nessa quarta (27) pelo prefeito. Amauri negou e disse que o fato foi criado para funcionar como "cortina de fumaça" ao que realmente ocorre na Educação.
"Não podemos deixar que esse assunto seja uma cortina de fumaça para o que realmente está acontecendo na Educação. Ano passado, cumprimos os 25% institucionais de aquisição na Educação. Só que o dinheiro não foi pra lá. Foi uma pedalada de mais de R$ 100 milhões"
Amauri Monge afirmou que documentou as movimentações financeiras e as repassou ao secretário de Economia, Marcelo Bussiki, e à Comissão de Educação da Câmara, mencionando conversas com o presidente do grupo de trabalho, Daniel Monteiro (Republicanos), a vice-presidente Michelly Alencar (União Brasil) e o membro Prof. Mario Nadaf (PV).
Segundo ele, foi cumprido o mínimo de 25% de compras sob o valor do orçamento anual do Executivo, no entanto, o dinheiro não foi repassado por Abilio à Secretaria de Educação e os fornecedores não foram pagos. Amauri também apontou R$ 25 milhões em dívidas à terceirizada responsável pela contratação das CADs (Cuidadoras de Alunos com Deficiência) correspondente a prestação de serviços dos meses outubro, novembro e dezembro.
"Não deixei de cumprir os 25% constitucionais para que o prefeito não fique inelegível. É minha obrigação como gestor. Mas também é minha obrigação dizer que foram pedalados para esse ano mais de R$ 100 milhões de dívida do ano passado. Inclusive, pondo em risco empresas sérias que forneceram para a Prefeitura e estão correndo o risco de falência", disparou Amauri na tribuna da Câmara.
Amauri foi nomeado na Educação em março de 2025. Ele estava no staff no ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) que o cedeu após pedido de Abilio. O ex-secretário ficou cerca de um ano no cargo e atendeu demandas emergentes, como o fornecimento de kits escolares e uniformes.
"Os senhores sabiam que os uniformes e os kits que eu suei pra fazer acontecer no menor prazo possível não foram quitados até hoje. Não tem nada pago de unifrme, de kit escolar. A empresa de Cads também não recebeu outubro, novembro e dezembro, são R$ 25 milhões de dívida e tenho tudo isso documentado com o secretário Bussiki pois eu faço gestão", concluiu.
OUTRO LADO
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Cuiabá, no entanto, a gestão disse que vai se manifestar em breve.
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