O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que a Capital tem previsão de perder R$ 300 milhões em receitas em 2027. Segundo ele, o cenário está relacionado a mudanças nacionais e à redução proporcional dos recursos repassados ao município pelo Governo Federal. Diante da perspectiva, a administração prepara medidas de contenção de despesas e ajustes administrativos.
A declaração foi feita na noite desta quarta-feira (4), durante conversa com jornalistas. Abílio afirmou que, apesar do crescimento da arrecadação própria, a dependência de transferências de outras esferas de governo pode comprometer as contas municipais.
“Cuiabá tem uma previsão de perder R$ 300 milhões para o próximo ano. Então, assim, qual é o motivo disso? As mudanças nacionais. O governo federal está passando dificuldade financeira. Então, todos esses impactos impactam no repasse para o município”, declarou.
O prefeito também afirmou que a arrecadação municipal cresceu 18% em tributos como ISS, IPTU e ITBI — siglas correspondentes aos impostos sobre serviços, propriedade urbana e transmissão de imóveis. Na avaliação dele, o resultado demonstra que a economia local continua movimentada, com aumento das negociações imobiliárias, da quantidade de empresas e dos investimentos.
“Se Cuiabá dependesse plenamente, 100% só dela, está voando. Só que Cuiabá tem que mandar o imposto da nossa cidade para o Governo Federal. Ou seja, o dinheiro que é da nossa cidade não fica aqui. Uma parte desse dinheiro vai para o Governo Federal e ele não está voltando proporcionalmente à parte que vai”, afirmou.
Abílio acrescentou que, na avaliação dele, o município envia mais recursos à União do que recebe de volta. Questionado se a situação representaria uma espécie de boicote do Governo Federal à Capital, negou essa interpretação.
“Não é boicote do Governo Federal. Isso ele está fazendo no Brasil inteiro. Não é exclusivo de Cuiabá. Teve perda de arrecadação nos municípios de Mato Grosso todo, perda de arrecadação em várias capitais do país. O Nordeste, então, está sofrendo pra caramba com perda de arrecadação”, disse.
O prefeito afirmou que a dificuldade não estaria relacionada especificamente à sua gestão ou a uma perseguição política contra Cuiabá, mas a um cenário nacional de redução de receitas e dificuldades financeiras.
CONTENÇÃO DE GASTOS
Ao comentar as consequências para a administração municipal, Abílio afirmou que a Prefeitura já trabalha com medidas para adequar as despesas à previsão de receitas. Segundo ele, reajustes e mudanças administrativas deverão ser necessários para enfrentar o cenário.
“Esse desequilíbrio está prejudicando a receita do município. Então, nós estamos fazendo a contenção, os reajustes vão ser necessários e algumas medidas administrativas serão necessárias de tomar”, declarou.
O prefeito também reconheceu que a Capital não é totalmente independente dos recursos federais, embora tenha defendido que a arrecadação própria apresenta desempenho positivo.
ORÇAMENTO DE R$ 5,7 BILHÕES
A previsão de perda anunciada por Abílio ocorre enquanto a Prefeitura projeta um orçamento de aproximadamente R$ 5,74 bilhões para Cuiabá em 2027. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) foi encaminhado à Câmara Municipal e estabelece a previsão de receitas e despesas para o próximo exercício.
Em audiência pública realizada em setembro para discutir o orçamento, a Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento informou que os dados acompanhados entre janeiro e agosto indicavam estabilidade das receitas, sem o crescimento registrado em períodos anteriores. A administração também reconheceu a dependência do município em relação a transferências e recursos vinculados de outras esferas de governo.
Apesar de apresentar o valor de R$ 300 milhões como previsão de perda, Abílio não detalhou quais transferências, programas ou fontes de receita compõem essa estimativa durante a entrevista. Também não apresentou um demonstrativo que permita identificar como o cálculo foi realizado.
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