O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) minimizou os recentes questionamentos sobre o enfraquecimento de sua articulação política na Casa de Leis, ao responder sobre o suposto desgaste de sua imagem perante o Legislativo, associando sua aparência física ao uso do medicamento Mounjaro para perda de peso. Segundo o prefeito, o "desgaste" visível não é político, mas decorrente de seu tratamento de saúde.
“Não, eu acredito que a minha imagem está se desgastando por causa do Mounjaro. Estou perdendo muito peso, as fotos estão muito magras, eu estou precisando engordar um pouquinho, eu acho que é mais isso. O resto é natural”, afirmou em entrevista à imprensa, nesta terça-feira (14).
Ao ser interpelado se a sua interferência direta no processo de eleição da Câmara estaria custando o apoio dos parlamentares, Abilio desviou o foco da crise institucional para sua estética pessoal.
“A base não, mas as bochechas já foram. Você viu? Está marcando. Eu tenho que comer um pouco mais e acho que as fotos não estão perdendo”.
Sobre a possibilidade de deserção definitiva de membros de sua base, ele classificou a situação como passageira e típica de períodos eleitorais.
“Não, eu acredito que a eleição é polarizada e é assim mesmo. Acho que cabe a eleição deles lá. Passando o processo eleitoral aí a discussão muda”.
ENTENDA
A ironia do chefe do Executivo ocorre em meio a um impasse jurídico e político entre os poderes, após Abilio passar a apoiar abertamente a reeleição da atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL). Como o Regimento Interno exige um quórum de dois terços (18 votos) para alterações nas regras de recondução, e o grupo governista possui apenas 14 votos (o chamado "G14"), o prefeito acionou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para tentar reduzir essa exigência para maioria simples.
Essa movimentação foi interpretada por parte dos vereadores como uma ingerência indevida, levando à criação de um Manifesto Institucional em defesa da autonomia da Câmara, assinado por parlamentares que criticam a judicialização de normas internas do Parlamento.
O clima de tensão resultou na expulsão de seis vereadores de um grupo de mensagens oficial do prefeito, que justificou a medida afirmando que não poderia compartilhar estratégias com quem "joga contra" a gestão.
Apesar do revés jurídico recente, com a Justiça negando pedidos liminares para suspender o quórum qualificado, Abilio sustenta a legalidade de sua tese baseada em decisões de instâncias superiores.
“O STF já julgou e tem repercussão geral e tudo mais é que a reeleição é permitida, seja na mesma legislatura ou na legislatura subsequente. Não tem problema nenhum”.
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