O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) Max Russi (Podemos) refutou as alegações de interferência no processo de sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, após às recentes declarações do prefeito Abilio Brunini (PL) e da vereadora e primeira-dama Samantha Iris (PL), que apontaram uma suposta tentativa de controle do Legislativo municipal por parte de membros do parlamento estadual. Russi ressaltou que sua atuação se restringe ao apoio partidário ao vereador Ilde Taques, também do Podemos.
“Eu acho que não tem uma queda de braço. Eu falei que eu apoio qualquer um que fosse candidato do Podemos. Eu sou presidente do partido. Quando você tem alguém aqui do seu partido candidato a algum cargo, você tem que estar junto, apoiando. Eu estou procurando ficar longe e não interferir, jamais”, afirmou Max, em entrevista concedida ao Jornal Meio-dia nesta segunda-feira (13).
As tensões aumentaram após Samantha Iris alegar uma suposta articulação de parlamentares da ALMT como um "complô" destinado a "botar a faca no pescoço" do prefeito, sugerindo que grupos políticos estaduais tentam dominar a capital.
Em contrapartida, o parlamentar reforçou que mantém distanciamento das tratativas sobre a eleição e que a condução das normas internas e a escolha dos dirigentes da Casa de Leis são prerrogativas exclusivas dos vereadores eleitos, criticando tentativas de influência vindas de fora do plenário.
“Não é meu papel interferir. Nem o papel do prefeito de interferir na eleição, apesar de ações na justiça. Espero que os vereadores façam análise daquele que vai conduzir melhor a Câmara de Vereadores pelos próximos dois anos. É direito dos dois, tanto da Paula como do Ilde, colocar o nome, o Dilemário, colocar o nome à disposição”, rebateu o parlamentar.
Russi finalizou destacando que o interesse direto do Executivo na eleição da Mesa Diretora torna qualquer intervenção externa inadequada para o fortalecimento democrático.
“Mas quem vai fazer essa escolha é dentro da Câmara, são os vereadores. Eu acho que não pode ter interferência nenhuma de fora. Nem de Marques, muito menos do Abilio, porque é um interessado direto, ou qualquer outro político”, concluiu.
ENTENDA
O cenário de conflito na Câmara de Cuiabá foi deflagrado após o prefeito Abilio Brunini ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O objetivo da prefeitura é suspender o dispositivo do Regimento Interno que exige quórum qualificado de dois terços para alterações nas normas da Casa, defendendo a adoção da maioria simples.
Essa medida jurídica tem impacto direto na disputa política, pois facilitaria mudanças regimentais articuladas pela base governista para favorecer a candidatura da atual presidente, Paula Calil (PL).
A oposição, liderada pelo grupo de Ilde Taques, reagiu com manifestos em defesa da autonomia legislativa, o que gerou sessões tumultuadas e trocas de ofensas entre os parlamentares. Enquanto o Executivo alega estar se protegendo de pressões políticas, críticos e membros do Legislativo estadual veem na ação uma tentativa de submeter a Câmara aos interesses do Palácio Alencastro.
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