O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) justificou a retirada de vereadores de um grupo no Whatsapp intitulado “Vereadores 2025 e Prefeito”, afirmando que o ambiente virtual era estritamente destinado à articulação da base aliada e que o distanciamento político desses nomes tornou o convívio estratégico inviável. Segundo o gestor, a medida foi necessária após os vereadores optarem por seguir um novo bloco político sob a influência do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) Max Russi (Podemos) e do vereador Ilde Taques, o que inviabilizaria o compartilhamento de ações governamentais sigilosas.
“Não é que eu exclui os vereadores, não é que eu não quero amizade. Aquele é um grupo da base. Vereadores que optaram por caminhos divergentes não estão na base. Então, assim, como que eu vou comunicar estratégias da base para um grupo de vereadores que tá jogando contra a gente em algumas estratégias?”, explicou o prefeito, em entrevista à Rádio CBN nesta sexta-feira (10).
Entre os parlamentares excluídos estão Alex Rodrigues (Podemos), Eduardo Magalhães (Republicanos), Sargento Joelson (Podemos), Katiuscia Mantelli (Podemos), Michelly Alencar (União) e Dra. Mara (Podemos). O chefe do Executivo detalhou que a formação de uma nova composição política na Câmara Municipal, liderada por figuras externas e internas que divergem da gestão atual, exige cautela no fluxo de informações.
“O que nós fizemos é, se nós vamos comunicar assuntos que tratam sobre a base, eu vou estar comunicando no grupo de vereadores que tratam sobre a base. Se eu tô percebendo que tem um grupo de vereadores que formou uma nova composição política, que é o grupo do Max, o grupo do Ilde, o grupo dessas novas lideranças políticas, eu não vou passar as estratégias da nossa gestão para esse grupo”, pontuou.
Questionado se os parlamentares removidos seriam agora rotulados como oposição, Abilio preferiu adotar um tom moderado, classificando a postura de alguns como uma busca por autonomia, mas reforçando a necessidade de proteção aos interesses do Executivo.
“Não necessariamente, alguns desses vereadores optaram pela independência política, por não ser nem base em nenhuma oposição, mas ainda assim a gente tem que tomar uma certa cautela com as estratégias do poder executivo”, afirmou, concluindo que “o grupo, ele tem a finalidade específica. São grupos de vereadores que estão apoiando a base da gestão. Aqueles também que não quiserem apoiar a base da gestão podem sair do grupo, não tem problema nenhum”.
ENTENDA O IMPASSE
Essa fragmentação da base ocorre em um momento de impasse no Legislativo cuiabano devido à judicialização da eleição da Mesa Diretora. O prefeito ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para derrubar a exigência de quórum de dois terços (18 votos) para alterações no Regimento Interno.
O objetivo é permitir que o projeto de resolução de Marcus Brito Jr. (PV), que viabiliza a reeleição da atual presidente Paula Calil (PL), possa ser aprovado por maioria simples (14 votos), número que o grupo governista, o 'G14', possui atualmente.
A vereadora e primeira-dama Samantha Iris (PL) corroborou a postura do prefeito, afirmando que a ADI é uma medida de "autodefesa" contra um suposto complô articulado por deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para controlar a Câmara Municipal.
Segundo Samantha, o grupo externo busca eleger a nova presidência para “botar a faca no pescoço do prefeito” e interferir diretamente na gestão da capital. Enquanto isso, a oposição liderada por Ilde Taques critica a ingerência do Executivo e defende a autonomia do parlamento, alegando que a eleição deve ser decidida internamente pelos 27 vereadores.
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