A vereadora Michelly Alencar (MDB) se posicionou contrária à reeleição da presidente da Câmara Municipal de Cuiabá Paula Calil (PL). Apesar de integrar a base governista do prefeito da capital, Abilio Brunini (PL), Alencar declarou que a candidatura de Calil seria “ilegítima” e ressaltou sua negativa diante da judicialização promovida pela prefeitura para alterar as regras internas do Legislativo.
A divergência de Michelly Alencar ganha destaque por questionar um dos principais argumentos utilizados pelo grupo de apoio à Paula Calil: a questão de gênero. Embora a Casa possua oito mulheres eleitas, a parlamentar aponta que a atual presidente não conta com o apoio da maioria de suas colegas de bancada feminina.
“Eu tenho meu posicionamento, sempre elogio o trabalho da Paula. Agora, é uma candidatura ilegítima, eu não vou defender uma candidatura que não existe. Não existe hoje essa candidatura. Temos oito mulheres nesta casa eleitas. Apenas uma mulher apoia ela, quem que tá errado?”, questionou a vereadora, em entrevista nesta quinta-feira (9).
LEIA MAIS: CCJR aprova parecer que permite reeleição na Câmara de Cuiabá
Na sequência de suas críticas, Alencar demonstrou insatisfação com as estratégias políticas adotadas, que, segundo ela, acabam por desconstruir a imagem das próprias mulheres no Parlamento. Para a vereadora, a autonomia de posicionamento deve ser respeitada sem que isso resulte em diminuição mútua.
“Eu sempre fico muito frustrada ao ver publicamente mulheres desconstruindo ou diminuindo o papel de outras mulheres. Então aqui todos nós somos mulheres, somos homens, somos pessoas que chegaram até aqui e tem autonomia de posicionamento. Então assim, e inclusive é polêmico”, disse.
Michelly também criticou a recente medida do prefeito Abilio Brunini, que ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A prefeitura busca derrubar a exigência de quórum de dois terços (18 votos) para alterações no Regimento Interno, tentando viabilizar a mudança por maioria simples, o que beneficiaria o grupo de Paula Calil.
“A coerência para mim sempre vai ser uma premissa. Eu sou totalmente contra essa interferência. Eu acho que os poderes, eles precisam caminhar de forma harmônica e não interromper a autonomia dos poderes. Eu acho que executivo, legislativo, caminhando bem, em harmonia, todo mundo ganha. Agora, usar o meu poder para subjugar um outro poder, a nossa lei é clara, nenhum poder está acima do outro poder”, ressaltou.
O movimento da parlamentar ocorre em meio à tramitação do projeto de autoria de Marcus Brito Jr. (PV), já aprovado pela CCJR, que visa permitir a reeleição sucessiva para a Mesa Diretora dentro da mesma legislatura.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









