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Política Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026, 22:03 - A | A

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Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026, 22h:03 - A | A

"SÃO FUNÇÕES DIFERENTES"

Abilio afirma que Ananias pode expulsá-lo do PL, mas segue como secretário em Cuiabá

Em meio ao racha no PL sobre aliança com MDB, prefeito separa crise partidária da gestão municipal e diz que eventual punição não afeta relação institucional

GABRIEL BARBOSA
Da redação

REPRODUÇÃO

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou nesta quarta-feira (5) que o secretário de Governo e presidente estadual do PL, Ananias Filho, tem o direito de expulsá-lo da legenda, mas garantiu que isso não afetará a permanência de Ananias à frente da pasta municipal. A declaração ocorre em meio à crise instalada no diretório estadual do partido após a oficialização da aliança com o MDB.

Em coletiva de imprensa, Brunini foi questionado sobre eventual desgaste na relação com Ananias, que recentemente co-assinou nota da executiva nacional cobrando fidelidade partidária e determinando apoio exclusivo ao candidato ao Governo, senador Wellington Fagundes (PL). O prefeito, que lidera uma ala bolsonarista rejeita a composição com o MDB, minimizou o imbróglio e separou as funções administrativas das partidárias.

"Primeiro, não existe conflito de hierarquia, porque são funções diferentes. Quando ele está como meu secretário, exerce a atividade de secretário de Governo, faz o trabalho dele muito bem e está tudo certo. Quando está no partido, exerce a função de presidente e defende os interesses partidários. Ele não exerce as duas funções ao mesmo tempo", declarou.

Brunini enfatizou que a relação institucional na Prefeitura permanece inabalável, independentemente das decisões que Ananias venha a tomar na legenda. Para o prefeito, o trabalho administrativo não pode ser contaminado pelas rusgas políticas.

"Na Prefeitura, ele exerce o papel de secretário de Governo e continua trabalhando. No partido, conduz a legenda conforme as orientações pertinentes. Caso entenda que é necessária a minha expulsão ou a de qualquer outra pessoa, é um direito dele como presidente estadual, juntamente com o presidente nacional", afirmou.

O gestor destacou ainda que não há retaliação ou desgaste na gestão municipal por conta do imbróglio partidário. Segundo ele, Ananias conduz a Secretaria de Governo com autonomia e bom desempenho.

"Uma coisa é a Prefeitura e outra é o partido. As duas coisas não se misturam. Eu tenho um bom relacionamento com ele e isso não afeta nada. Mesmo que ele tome alguma decisão partidária em relação a mim, isso não interfere no trabalho dele como secretário. Na Prefeitura, ele conduz a área de Governo com liberdade e trabalha muito bem", pontuou.

"A questão partidária é outra, e cabe a ele tomar as decisões necessárias. Não tenho conflito nenhum com ele por causa de qualquer decisão partidária", concluiu.

CRISE NO PL

A fala de Abilio acontece em um momento delicado para o PL em Mato Grosso. Após a oficialização da "dobradinha" ao Senado entre o deputado federal José Medeiros (PL) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o prefeito tornou-se a principal liderança de uma ala bolsonarista que rejeita a aliança com os emedebistas, classificando o partido como adversário histórico derrotado nas eleições municipais de 2024.

Embora tenha recuado da ameaça de deixar o PL e garantido sua permanência na legenda, Brunini manteve o distanciamento total da chapa majoritária encabeçada por Wellington Fagundes. O prefeito tem afirmado que seu foco será a campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), a reeleição de José Medeiros ao Senado e a eleição de sua esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), para deputada estadual.

Ananias Filho, como presidente estadual do PL, enfrenta o desafio de unificar a base e garantir que os filiados respeitem a decisão da executiva nacional. A nota emitida na terça-feira (4) por Valdemar Costa Neto e Ananias determinou que pedir votos para candidatos de outras legendas, como o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), fere o compromisso partidário.

Com a declaração de Brunini, fica evidente que, enquanto na esfera municipal a relação entre prefeito e secretário segue funcional, no tabuleiro político-partidário a divisão permanece aberta. Ananias tem agora a tarefa de equilibrar a lealdade ao chefe do Executivo municipal com as ordens da cúpula nacional do PL.

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