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Polícia Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2026, 16:10 - A | A

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Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2026, 16h:10 - A | A

POLICIAL CIVIL É ACUSADO

Mulher estuprada em delegacia voltava chorando à cela após abusos

Abusos ocorreram após audiência de custódia e só vieram à tona após investigação paralela da defesa

APARECIDO CARMO
Da Redação

PJC

Delegacia de Sorriso foi palco de estupro de mulher presa injustamente por policial civil.

Delegacia de Sorriso foi palco de estupro de mulher presa injustamente por policial civil.

Uma testemunha, que compartilhava a cela com a mulher que foi estuprada em uma delegacia de Sorriso (397 km de Cuiabá), disse às autoridades que ela retornava chorando após cada sessão de estupro.

A vítima foi estuprada quatro vezes entre a noite de 9 de dezembro e a manhã de 10 de dezembro de 2025 pelo investigador Manoel Batista da Silva, da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.

LEIA MAIS: "Se denúncia fosse feita na delegacia, nada iria acontecer", diz advogado de mulher estuprada por policial

A mulher foi retirada da cela e levada para uma sala vazia. O acusado a ameaçava dizendo que mataria sua filha se ela não ficasse quieta.

O primeiro estupro ocorreu assim que a vítima foi levada de volta para a delegacia, após passar por audiência de custódia e e exame de corpo de delito. Por volta das 18h foi praticado o primeiro estupro.

Poucas horas depois, ocorreria o segundo. Durante a madrugada houve o terceiro abuso sexual, quando o acusado ejaculou na mulher. O último estupro foi realizado no amanhecer do dia 10.

A vítima foi presa por engano, no âmbito da investigação de um homicídio ocorrido em Sorriso. O depoimento de um motorista de aplicativo foi decisivo para que a polícia pedisse a prisão, que foi determinada pelo Judiciário.

LEIA MAIS: Depoimento falso levou à prisão de mulher estuprada em delegacia, diz advogado

Dois dias depois, após os advogados da vítima realizarem uma investigação própria, foi descoberto que o motorista de aplicativo havia mentido e que ele era um dos envolvidos no crime.

A vítima foi colocada em liberdade no dia 11 de dezembro, momento em que relatou os abusos aos advogados. De imediato foi acionado o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que foi quem determinou que o caso fosse investigado pela polícia.

Ao Hipernotícias, o advogado Walter Rapuano, que representa a vítima do estupro na delegacia de Sorriso, disse que a decisão de procurar primeiro o MPMT foi por acreditar que a polícia poderia agir por corporativismo.

LEIA MAIS: Mulher foi estuprada quatro vezes por policial sob ameaças de morte contra sua filha

“Não tinha o menor cabimento a gente procurar a delegacia para denunciar um policial da delegacia, porque infelizmente é mais fácil que eles ajam com base no corporativismo do que dar ouvidos a alguém que esteve preso na delegacia”, afirmou.

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