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Polícia Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026, 17:37 - A | A

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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026, 17h:37 - A | A

FACHADA DA FÉ

MPMT denuncia missionária e família por lavagem de dinheiro para o CV

Segundo denúncia, grupo lavava dinheiro da facção e levava celulares e recados para o raio de segurança máxima da Penitenciária Central

MARYELLE CAMPOS
Da redação

Arquivo

Operação Fariseus - denunciados pelo MPMT - Rhavenna

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) denunciou a ‘missionária’, Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, de 31 anos, sua mãe Orminda Carlos de Barcelos, de 55 anos, suas duas irmãs, um primo e a liderança do Comando Vermelho, Renildo da Silva Rios, por lavarem dinheiro para a facção. A denúncia foi assinada pelo promotor João Batista de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em 11 de setembro e encaminhada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Rhavenna, sua mãe Orminda e o faccionado Renildo, conhecido como "Velhote" ou "Chapa", foram denunciados por integrar a organização criminosa e por lavagem de dinheiro. Já as irmãs Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, juntamente com o primo Rhuan Barcelos da Conceição, foram acusados pelo crime de lavagem de dinheiro e por participarem da ocultação dos valores. O pai de Rhavenna, o pastor Nivaldo de Almeida, que também era investigado no inquérito, não foi denunciado devido à sua morte em 5 de setembro de 2026.

Segundo o MP, a família utilizava o projeto religioso “Resgatando Vidas" para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e manter relações financeiras e relacionamentos amorosos com líderes do CV, além de entregar celulares no raio de segurança máxima.

A condição de líderes religiosos permitia que Rhavenna e a mãe circulassem entre os raios prisionais e atuassem como ponte entre líderes do CV e os membros em liberdade ou foragidos, transportando mensagens, dinheiro e telefones celulares.

A família e o projeto religioso começaram a ser investigados após uma denúncia em 2025. O inquérito policial foi concluído no mesmo ano e constatou que o envolvimento entre a família e o CV-MT era verdadeiro.

“Isto porque, conforme as evidências colhidas, Rhavenna, que alegava ser praticante religiosa, fazia exposições em suas redes sociais de uma vida com exacerbado luxo e frequentes visitas às favelas do Rio de Janeiro, sempre na presença de familiares de faccionados”, afirma a denúncia.

Entre os conteúdos probatórios anexados após quebra de sigilo estão prints de postagens da própria Rhavenna participando da festa de aniversário de 18 anos de Jamilly Lemes de Souza Gonçalves no Complexo do Alemão (RJ). A aniversariante é filha de Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”, apontado como uma das lideranças da facção em Mato Grosso.

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PAPEL DE CADA DENUNCIADO NO ESQUEMA

Segundo a denúncia do Ministério Público, Rhavenna exercia papéis centrais dentro da estrutura do Comando Vermelho, como ponto de contato entre lideranças presas e membros em liberdade, além de operadora financeira do grupo.

Já Renildo, conhecido como um dos 13 conselheiros do CV de Mato Grosso, é um dos fundadores da organização criminosa no estado e atualmente está preso na PCE, em razão de 13 condenações que somam 76 anos, 2 meses e 23 dias de prisão.

Orminda, mãe de Rhavenna, mantinha uma conduta mais discreta, mas os diálogos revelaram sua função de intermediadora entre faccionados presos e soltos, além da lavagem de dinheiro, possível responsável pela venda de armas e auxílio aos detentos, ao guardar valores e levar objetos para o presídio. Como publicado pelo HNT, ela era referida como “mãe” pelos presos.

Já Anatany Nina, conhecida como “Taninha”, utilizava seu emprego em uma casa lotérica para fazer o controle do dinheiro, depositar em diferentes contas bancárias e dar o ar de legalidade para os valores. Ela era responsável por repassar as quantias de um familiar para outro e procurar contas bancárias com menor movimentação para evitar bloqueios ou alertas bancários.

Juntamente com Anatany, Rhuan Barcelos, primo de Rhavenna, e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, outra irmã de Rhavenna, conhecida como “Lolo”, eram os responsáveis por lavar os valores e esconder a origem ilícita. O documento ainda aponta que Rhuan armazenava os valores em espécie em sua casa e, posteriormente, entregava para Rhavenna.

No encaminhamento da denúncia à vara criminal, o promotor de Justiça recusou a oferta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) “diante da gravidade das condutas praticadas, que não é suficiente para reprovação e prevenção de crimes”.

Com isso, os denunciados respondem agora formalmente por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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