O real apresentou um dos melhores desempenhos entre as divisas mais líquidas, ao lado do peso chileno, amparado em grande parte pela perspectiva de aumento das chances de vitória do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, segundo "trackings eleitorais", de acordo com operadores ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A manutenção do barril do petróleo acima da marca de US$ 100, apesar da queda de mais de 3% nas cotações nesta quarta, também favorece a moeda brasileira, ao melhorar os termos de troca.
Além disso, dados divulgados pelo Banco Central brasileiro mostraram melhora do fluxo cambial na segunda semana de setembro, o que reduz pressões sobre a divisa.
Depois de tocar a máxima de R$ 5,1664, em sintonia com o pico da moeda norte-americana lá fora, o dólar à vista encerrou cotado a R$ 5,1514, em baixa de 0,07%. Pela manhã, a mínima foi de R$ 5,1372.
A moeda norte-americana avança 0,51% frente ao real nos três primeiros pregões da semana, mas ainda cai 0,55% em setembro, após valorização de 2,16% no mês passado. No ano, as perdas são de 6,15%.
"O comportamento do real está muito mais ligado às expectativas para a eleição presidencial do que ao exterior. Houve uma piora momentânea, mas o quadro ainda é favorável à moeda, com as pesquisas apontando chance de vitória de Flávio Bolsonaro", afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginald Galhardo.
Como esperado, o Fed elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 3,75% e 4%, em um comunicado enxuto e com ênfase na inflação. As previsões de dirigentes do BC dos EUA para indicadores econômicos, contidas no chamado gráfico de pontos, apontam para crescimento maior, queda do desemprego e inflação acima da meta. Doze dirigentes veem o juro básico entre 4% e 4,25% no fim de 2026, o que significa uma alta adicional de 0,25 ponto ainda em 2026.
Em coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou um tom duro. Com sinais de que a economia está se fortalecendo e uma situação "mais ou menos de pleno emprego", o BC norte-americano "pode se dar o luxo" de se concentrar na busca pela meta de inflação.
"Na coletiva, Warsh manteve o tom hawk, parecido com o de seu discurso em Jackson Hole. Como a economia está forte, pode se concentrar mais na inflação, reduzindo o grau de acomodação monetária", afirma o estrategista-chefe da Monte Bravo, Rai Chioli.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia 0,65% perto do fim da tarde, a 100,265 pontos, após máxima acima dos 100,300 pontos. A taxa da T-note de 2 anos, que reflete as expectativas para o rumo da política monetária norte-americana, subiu mais de 15 pontos-base, tocando 4,73%. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra chances de quase 90% de nova alta de 0,25 ponto porcentual até o fim do ano.
As expectativas são de que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie, nesta quarta à noite, novo corte da taxa Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano. Para os analistas de câmbio Michael Pfister e Norman Liebke, do alemão Commerzbank, a redução do juro básico já está "totalmente precificada pelo mercado" e, por isso, deve ter impactos limitados na taxa de câmbio. "Mais decisivo para o real provavelmente será um sinal do BC de que o ciclo de cortes de juros será interrompido por enquanto", afirmam os analistas, em nota.
(Com Agência Estado)
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