"Nossa decisão vem num momento de economia americana forte", disse Warsh. Um dos marcadores da resiliência da economia americana, segundo Warsh, vem do mercado de trabalho, onde a taxa de desemprego segue "consistente com pleno emprego".
O presidente do Fed reforçou que o foco predominante do BC é estabilizar os preços. "A inflação está muito alta e segue assim há muito tempo", disse.
Warsh afirmou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) retirou uma "dose" de política monetária acomodatícia e que dados recentes sobre a inflação não indicam que "a situação da inflação tenha melhorado".
"Muitas categorias estão registrando aumentos superiores a 3%", disse ele, acrescentando que o banco central precisa ter certeza de que a inflação subjacente deve estar se aproximando dos 2%.
Guerra
O presidente do Federal Reserve afirmou ainda que o BC norte-americano garantirá que quaisquer alterações nos preços resultantes da guerra no Oriente Médio não se generalizem.
Segundo ele, essa é uma preocupação da autoridade monetária, que observa que "muitas categorias estão registrando aumentos superiores a 3%".
Além disso, Warsh afirmou que o BC trabalha para que as expectativas de mercado fiquem ancoradas.
Warsh afirmou que o BC dos EUA observa que, mesmo em meio à atual crise geopolítica, a resiliência da economia americana é marcante. E, nesse contexto, as perspectivas de inflação "não estavam passando no teste", disse Warsh.
Pressão da Casa Branca
Questionado sobre a pressão vinda da Casa Branca para a redução da taxa básica de juros, Warsh afirmou que não tem nada a declarar. "Não tenho nada a dizer sobre conversas com o presidente Donald Trump", afirmou.
Warsh também afirmou que parte da independência do banco central norte-americano vem do fato de a autoridade monetária seguir no seu quadrado.
Disse que o BC dos EUA atua com disciplina e que ele não escreve cartas ou recados para Wall Street. "A decisão de hoje foi a coisa certa para cumprirmos nosso duplo mandato", resumiu.
Guidance
O presidente do Fed repetiu algumas vezes que não fornece projeções pessoais para indicadores econômicos, nem sinalizações sobre sua tolerância para inflação. "Não dou forward guidance; não vou antecipar nenhuma decisão futura", afirmou.
Dependência do mercado ao gráfico de pontos
Avesso a fornecer forward guidance, o presidente do Federal Reserve afirmou que se preocupa com a dependência do mercado ao gráfico de pontos. Durante entrevista coletiva à imprensa, Warsh afirmou que, particularmente, não esperava "ansiosamente" pelo sumário das projeções macroeconômicas divulgados nesta quarta.
Ele reforçou o propósito declarado em junho que continuará sem divulgar as suas próprias projeções.
Pressão inflacionária global
Ao longo da coletiva, Warsh mencionou, em diferentes momentos, que a pressão inflacionária que preocupa o FOMC também é observada em outras economias.
Ele disse que o tema foi discutido nas conferências das últimas semanas, tanto a de Jackson Hole quanto a reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais organizada pelo G20.
Warsh disse ainda que, como a economia dos Estados Unidos dá sinais de estar sólida, a autoridade monetária pode se "dar ao luxo de concentrarmos na inflação".
Mais de uma vez, comentou que o mercado de trabalho tem sinais de estar funcionando com pleno emprego. Nesse sentido, o dirigente ressaltou que o duplo mandato do Federal Reserve, que trata de manter o mercado de trabalho saudável e a inflação sob controle, "não está colidindo no momento".
Juros de mercado
Sobre o salto dos juros dos Treasuries, o presidente do Federal Reserve argumentou que o avanço aconteceu por um conjunto de fatores. Citou solidez econômica, alto fluxo de capital para investimentos (Capex) e a crise geopolítica.
Na coletiva, Warsh informou que a força-tarefa criada em julho para discutir o tema da inteligência artificial deve apresentar à direção do Fed um relatório até o final deste ano.
(Com Agência Estado)
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