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Polícia Terça-feira, 15 de Setembro de 2026, 17:23 - A | A

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Terça-feira, 15 de Setembro de 2026, 17h:23 - A | A

OPERAÇÃO FARISEUS

Joias, viagens, carros e cirurgias; veja presentes de líder do CV a "missionária" 

A missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida mantinha relação com Renildo da Silva Rios, conhecido como "Velhote" ou "Chapa", apontado como "conselheiro final" do Comando Vermelho em Mato Grosso

MARYELLE CAMPOS
Da redação

Relatório da Draco

presentes de Renildo à Rhavenna -  Operação Fariseus

 

A investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) apontou que Renildo da Silva Rios, conhecido como "Velhote" ou "Chapa", era o principal provedor financeiro direto da missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, de 24 anos. Entre a longa lista de presentes recebidos estão joias de ouro, carro, viagens de luxo, cirurgias plásticas, reformas, alianças e dinheiro em espécie. Além dela, seu núcleo familiar também recebia vantagens financeiras.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, a relação de Rhavenna e Renildo ultrapassava o limite afetivo. "A relação era acompanhada de vantagens e benefícios patrimoniais, com registros de flores, presentes, alianças, joias, dinheiro, passagem de viagem, reformas, possível disponibilização de veículo e outros bens", afirmou em relatório que analisou arquivos do Icloud de Rhavenna.

Fotografias encontradas na nuvem mostram o casal no Dia dos Namorados, em uma videochamada em que Rhavenna é homenageada com buquê de flores, cesta, caixa de presente com rolos de cédulas de R$ 100, passagem de viagem e cartão com fotografia do casal.

Nas mídias, também foi possível achar o voucher da viagem em junho deste ano pela Azul Linhas Aéreas, partindo de Cuiabá com destino final em Porto Seguro (BA). O pacote incluiu seis diárias no hotel de categoria 4 estrelas, Sarana Praia Hotel, localizado de frente para Praia de Taperapuã.

Já em outros momentos, aparecem alianças, pulseira de ouro personalizada com as iniciais “RR” e possível disponibilização de veículo. A força do vínculo afetivo do casal também é exteriorizada pela própria Rhavenna, que tatuou a letra “R” na lombar e utilizava peça íntima personalizada com o vulgo “Velhote”, de Renildo.

presentes de Renildo à Rhavenna -  Operação Fariseus

 

"O conjunto evidencia relação amorosa consolidada e acompanhada de benefícios materiais relevantes, reforçando que a aproximação entre ambos ultrapassava qualquer finalidade religiosa e se inseria em contexto de favorecimento e suporte financeiro por parte do preso", diz trecho do documento da Polícia Civil.

Outros registros que chamaram a atenção dos investigadores foram fotos e vídeos com grandes volumes de dinheiro em espécie e peças de ouro, como cordões e pulseiras, além de barras. Em alguns registros, identifica-se a mãe de Rhavenna com anéis de ouro, além de cordão escrito “Unidos VG Chapadão”, time de futebol comunitário de Várzea Grande, supostamente financiado também por Renildo.

Um dos registros compartilhados por outra missionária que integrava o grupo "As Faixa Rosa Evangélica" mostra Rhavenna recebendo a chave de um veículo e encontrando uma surpresa com flores que estavam no porta-malas.

Em um dos registros, em 13 de março, Rhavenna afirma expressamente à irmã Lo Rhuama Barcelos: “O dinheiro que o Renildo paga as coisa”. Em seguida, afirma que ele largaria a esposa para ficar com ela. Sua irmã responde “que nada pelomenos n foi tempo perdido” e, em seguida, "arrumou e ainda ganhou um carro kkk”, o que, para a Polícia, corrobora indicativos de que presos teriam pago a plástica de Rhavenna e seu carro.

Uma conversa entre Rhavenna e a mãe, em fevereiro, expõe o pagamento por Renildo de uma parcela de R$ 5 mil do carro de Orminda. Na conversa, ele envia o comprovante bancário e diz "Ele que mando".

Outros registros ainda mostram Rhavenna afirmando que Renildo custearia a reforma residencial de alto padrão. Em conversas de fevereiro, ela mostra a reforma de sua casa com instalação de porta de Blindex, fechamento de área gourmet e aparelhos de ar-condicionado, e dizendo "que ele vai paga", se referindo a Renildo.

"Os novos dados demonstram que os vínculos anteriormente identificados com integrantes do CVMT não eram episódicos, revelando a permanência de uma estrutura de intermediação com presos e lideranças, favorecimentos, circulação de valores, recebimento de benefícios e utilização do núcleo familiar e do projeto “Resgatando Vidas” para finalidades que extrapolavam a assistência religiosa", afirmou o relatório.

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