O assunto foi tema da mesa "Diplomacia da inovação na era da IA", no São Paulo Innovation Week, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta, 15.
Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
"Qualquer assunto que envolve tecnologia está no centro das relações internacionais", afirmou o embaixador, citando que o mundo vive hoje uma guerra fria tecnológica com fundo econômico, onde o multilateralismo está enfraquecido e as potências concentram cada vez mais os recursos necessários para o desenvolvimento.
O diplomata citou, ainda, que países europeus já começaram um movimento em direção à soberania digital, ou seja, em busca de soluções locais para fornecer ferramentas de nuvem, plataformas de comunicação e de trabalho que levem o continente a depender menos das empresas americanas que hoje são as principais responsáveis pelo serviço.
A França, por exemplo, tem sido um dos países a liderar as conversas sobre a transição digital das plataformas americanas para soluções europeias. O país criou um ministério para lidar com as transformações digitais e de IA em sua economia, e está substituindo serviços a nível governamental. O Brasil deve, agora, fazer a mesma coisa.
Por aqui, essa busca pela soberania deve se estender, também, aos recursos encontrados no País. O Brasil tem, hoje, a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas produz menos de 1% de seu potencial. Na produção de chips, a indústria local atende apenas 10% da demanda necessária para o uso nacional, importando 90% do necessário para o consumo.
"No caso do Brasil, nós estamos mal na fita, porque a maior parte do que nós precisamos é importado. Considerando essas tensões geoeconômicas, temos diante de nós uma vulnerabilidade", apontou Garcia.
Por isso, para o Brasil, esse momento é o de buscar parcerias, tanto para o desenvolvimento das nossas próprias tecnologias como para diversificar as fontes de armazenamento e processamento de dados. Esses fatores são essenciais para alcançar a soberania na parte digital e de IA.
"Com parcerias. Temos feito muita coisa em inovação, em desenvolvimento e adoção da IA no Brasil, mas sempre é interessante você ter cooperação internacional com outros países que também estão buscando o mesmo jeito. Podem ser países que estão mais avançados ou em nível semelhante ao nosso desenvolvimento. Às vezes, quando se trata de países ainda mais atrás, nós também podemos ajudar nesse sentido de levar cooperação técnica, conhecimento e mostrar olha, no Brasil está dando certo isso", explicou o embaixador.
"O Brasil acolhe esses princípios (de IA), mas do nosso ponto de vista, ela tem que estar centrada no desenvolvimento, porque ela é para isso: para o nosso movimento econômico, social, tecnológico", afirmou o diplomata. "Se essa revolução tecnológica passa pela IA, então nós queremos que ela nos ajude no desenvolvimento nacional, porque esse é um objetivo central nosso".
(Com Agência Estado)
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