Entre os vitoriosos, há alguns destaques, incluindo candidatos que alcançaram marcas inéditas, como a primeira governadora negra e a primeira governadora latina de Estados americanos.
Até o fim da manhã desta quarta-feira, 4, os democratas conquistaram 54 cadeiras no Senado, contra 44 dos republicanos. Duas vagas ainda estão em disputa. Na Câmara, são 228 democratas, contra 139 republicanos, com 68 vagas em aberto.
Entre os 36 Estados com eleições para governador, os democratas venceram em 22 e os republicanos em 12. Dois ainda estão em disputa.
Eleitores da Carolina do Sul, Ohio e Texas elegeram uma nova classe de potenciais estrelas democratas que não poderiam ser mais diferentes entre si. São ideologicamente diversos, incluindo progressistas determinados a reformular a abordagem do partido em relação a Israel e à saúde, e moderados que passaram meses convencendo republicanos a se juntarem à sua causa.
Alguns evitam a viralização da era das redes sociais, outros são um produto dela. Há um pediatra, um pastor, um atleta paralímpico e um ex-piloto de helicóptero da Marinha.
Eles também mudarão a face do poder. A nação terá sua primeira governadora negra, o primeiro homem assumidamente gay a servir no Senado e a primeira mulher da Geração Z no Congresso.
James Talarico
O democrata James Talarico, de 37 anos, derrotou o republicano Ken Paxton no Texas e tornou-se o primeiro candidato do partido a conquistar uma cadeira no Senado pelo Estado desde 1988.
Talarico foi eleito para a Câmara dos Representantes do Texas em 2018 e construiu sua trajetória com propostas voltadas à educação pública, à saúde e à redução do custo de vida. Quando tomar posse, ele se tornará o integrante mais jovem do Senado.
O democrata passou um período no seminário e usou referências bíblicas em seus discursos, inclusive comparando o adversário a Golias.
A disputa entre Talarico e Paxton, que é procurador-geral do Texas, foi uma das mais caras da história. Até meados de outubro, o democrata havia arrecadado mais de US$ 146,3 milhões, enquanto o Senate Leadership Fund, que apoia os republicanos, recebeu US$ 158 milhões apenas do bilionário Elon Musk.
Jon Ossoff
O democrata Jon Ossoff, de 39 anos, derrotou o republicano Mike Collins e conseguiu se reeleger como senador pela Geórgia.
Antes de ser eleito para o Senado pela primeira vez, em 2020, ele era jornalista investigativo.
Após a vitória, ele creditou o bom desempenho do Partido Democrata nas midterms à rejeição dos americanos à "corrupção" e à "incompetência" do presidente dos EUA, Donald Trump.
"Em vitórias avassaladoras e decisivas, o povo americano repudiou a depravação, a corrupção e a incompetência do fracassado presidente 'pato manco'", disse Ossoff.
Amy Acton
A democrata Amy Acton, de 60 anos, derrotou o republicano Vivek Ramaswamy e venceu a disputa pelo governo de Ohio.
Amy, que é médica e foi chefe do Departamento de Saúde de Ohio durante a pandemia, usou a saúde como tema central de sua campanha.
Durante a disputa, Ramaswamy chegou a veicular um anúncio no qual a mãe da democrata, que apoiou o padrasto dela em uma acusação de estupro quando Amy era criança, chamava a filha de mentirosa.
Amy classificou o anúncio como "desprezível" e disse em entrevista à CNN que falou publicamente sobre sua infância porque "isso pode dar esperança a outras pessoas de que é possível sair de certas circunstâncias".
Gina Hinojosa
A democrata Gina Hinojosa, de 52 anos, derrotou o republicano Greg Abbott e venceu a disputa pelo governo do Texas, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo desde 1991 e a primeira latina na história.
Gina tem ascendência mexicana e é natural do Vale do Rio Grande, região na fronteira com o México e de maioria latina.
Antes da campanha, Abbott, que venceu as eleições para governador do Estado em 2014, 2018 e 2022, era apontado como favorito a um quarto mandato. No entanto, Gina ganhou espaço com uma campanha populista, criticando centros de dados de inteligência artificial e a corrupção.
Desde o início, ela acusou Abbott de priorizar os ricos em detrimento das pessoas comuns e de não conseguir reduzir os custos.
Uma das primeiras promessas de campanha de Gina foi um pagamento único de US$ 1,5 mil para cada um dos quase 32 milhões de habitantes do Estado, que ela chamou de "Reembolso do Imposto da Corrupção". Ela afirmou que o dinheiro viria do enorme fundo de reserva de emergência do Texas.
Keisha Lance Bottoms
A democrata Keisha Lance Bottoms, de 56 anos, derrotou o republicano Rick Jackson e venceu a disputa pelo governo da Geórgia, tornando-se a primeira mulher negra eleita para o governo de um Estado americano.
Keisha também é a primeira democrata a vencer uma eleição para o governo da Geórgia desde 1998, quando Roy Barnes foi eleito para o cargo. Após ser derrotado pelo republicano Sonny Perdue nas eleições de 2002, o democrata deixou o governo em janeiro de 2003. A vitória de Perdue marcou o domínio republicano que se estendeu até então.
Ela entrou na disputa pelo governo do Estado em meio a questionamentos de seu próprio partido devido ao aumento da criminalidade e à queda de sua popularidade durante seu mandato como prefeita de Atlanta.
No entanto, Keisha conseguiu se destacar em meio a um grande número de candidatos nas primárias e se apresentar como uma contraposição a Trump, culpando o presidente pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos custos da saúde.
Abdul El-Sayed
Abdul El-Sayed, de 42 anos, será o primeiro muçulmano a servir no Senado. Médico que administrou departamentos de saúde locais em Detroit, ele se tornou o candidato do partido após uma primária acirrada e dispendiosa contra a deputada Haley Stevens, que contava com muito mais recursos financeiros. Conduziu uma campanha explicitamente progressista em um estado indeciso, e ícones liberais como Alexandria Ocasio-Cortez apoiaram seus esforços para transformar o partido.
O antissionismo de El-Sayed alienou alguns líderes judeus e levou o Comitê de Assuntos Públicos Israel-Americano (AIPAC) a investir milhões em sua oposição. Mas ele disse aos eleitores durante o verão: "Dinheiro não compra uma mensagem. Dinheiro não compra a verdade. Dinheiro não compra o povo."
Adam Hamilton
No início de 2026, Adam Hamilton nem sequer era democrata. Ele era um republicano registrado e pastor da maior congregação metodista unida do país.
Ele agora é o primeiro democrata a conquistar uma vaga no Senado dos EUA pelo estado desde 1932. Hamilton, de 62 anos, fez campanha abertamente com base em sua fé e trabalhou arduamente para se distanciar do partido nacional, buscando persuadir os moderados em seu estado, tradicionalmente republicano, a escolhê-lo em vez do impopular senador Roger Marshall. Seu discurso foi conciliatório: "Se eu for eleito, como um democrata moderado ou independente, trabalharei em conjunto com a oposição", disse ele no debate em outubro.
Annie Andrews
Annie Andrews, uma pediatra de 46 anos, iniciou uma campanha improvável contra o senador Lindsey Graham, que estava no cargo há muito tempo, em maio de 2025. Seu foco era alguém que jamais apareceria na cédula eleitoral: Robert F. Kennedy Jr., o controverso secretário de saúde e serviços humanos do governo Trump. Andrews prometeu o impeachment de Kennedy e culpou o governo Trump por um surto de sarampo em 2025 que deixou 1.000 crianças doentes em seu estado.
Sua campanha pareceu um pouco menos improvável quando Graham faleceu repentinamente em julho e foi substituído na cédula por sua irmã, Darline Graham. Andrews retratou a irmã, com precisão, como alguém escolhida a dedo por Trump, e se apresentou como a candidata da mudança.
*Com informações de agências internacionais.
(Com Agência Estado)
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