No fim de semana, o pontífice havia feito uma de suas manifestações mais contundentes sobre o conflito, ao criticar o que chamou de "ilusão de onipotência" que estaria alimentando a escalada de violência entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Em sua mensagem, Leão XIV também reforçou um apelo direto aos líderes políticos para que interrompessem as hostilidades e buscassem negociações de paz. Em linha com sua tradição pastoral, o papa já havia afirmado anteriormente que "Jesus não escuta quem faz guerra", destacando a ideia de que a violência é incompatível com a prática da fé e da oração.
"Jesus não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue", disse.
A resposta de Trump veio em tom crítico, afirmando que o papa estaria "errado" em suas declarações sobre a política externa americana. O presidente também acusou o pontífice de adotar posições "fracas" em relação ao combate ao crime e a outras questões de segurança.
Após as declarações do presidente, ao falar com jornalistas a bordo do avião papal, a caminho da Argélia em sua primeira visita ao continente africano, Leão XIV voltou a comentar o caso.
"Eu não sou um político", afirmou o papa. "Não tenho intenção de debater. A mensagem é a mesma: promover a paz". Ele também destacou que suas falas não devem ser interpretadas como posicionamentos políticos, mas como parte da missão religiosa da Igreja. "Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui é não compreender qual é a mensagem do Evangelho", afirmou.
O pontífice ainda declarou não temer o governo Trump e reiterou que seguirá com o que considera ser sua missão espiritual.
Do lado da Casa Branca, Trump também descartou qualquer pedido de desculpas e manteve o tom crítico, afirmando não haver "nada pelo que se desculpar". Ele reiterou sua posição de que a política americana em relação ao Irã é necessária para impedir o avanço de um programa nuclear no país.
Além dos comentários, o republicano também publicou, horas após criticar o pontífice, uma imagem que ampliou a repercussão do episódio. Na ilustração, Trump aparece com uma túnica branca e um manto vermelho em uma cena com forte simbolismo religioso.
Ele toca a testa de um homem deitado em uma cama hospitalar enquanto emanam luzes das mãos, em um gesto associado à cura. A imagem foi publicada sem comentários e posteriormente, o presidente negou qualquer intenção de se equiparar a figuras religiosas.
(Com Agência Estado)
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