Mundo Quarta-feira, 06 de Abril de 2011, 16:56 - A | A

Quarta-feira, 06 de Abril de 2011, 16h:56 - A | A

Gbagbo resiste a cerco na Costa do Marfim; forças rivais se reagrupam

Atual presidente estaria escondido em um bunker no porão de sua casa, segundo relatos

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

As forças do presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, resistiram nesta quarta-feira ao cerco das tropas leais ao presidente eleito, Alassane Ouattara, à residência presidencial em Abdijã.

Segundo relatos, as forças de Ouattara recuaram e estão se reagrupando para uma segunda ofensiva contra a casa, onde Gbagbo está escondido em um bunker, no porão.

Ouattara foi o vencedor das eleições na Costa do Marfim em novembro do ano passado, reconhecido pela comunidade internacional. Gbagbo, que já estava no poder, se recusou a renunciar e apelou ao Conselho Eleitoral por uma recontagem de votos, que favoreceu sua campanha. Desde então, forças dos dois lados se enfrentam em confrontos que deixaram centenas de mortos e ameaçam levar o país de volta à guerra civil de 2002 e 2003.

 

Rebecca Blackwell/AP
Soldados leais a Alassane Ouattara se preparam para partir em posto de controle em uma das entradas de Abidjã

 

Nesta terça-feira, Gbagbo se refugiou no bunker de sua residência em Abdijã. Diante de um cessar-fogo, ele chegou a negociar uma rendição com a França e a ONU (Organização das Nações Unidas). Pouco depois, contudo, voltou atrás e disse que não reconhece Ouattara como presidente. Com o fracasso do diálogo, as forças leais a Ouattara voltaram às armas.

 

Mamadou Toure, um apoiador de Ouattara, disse à France 24 TV que a tomada do bunker de Gbagbo está demorando porque as forças do presidente estão fortemente armados.

Uma fonte ocidental, citada pela agência de notícias Reuters, vive perto da residência de Gbagbo e afirmou que os combates acabaram na tarde (horário local) e que as forças de Ouattara reagruparam.

"No meu entender, eles tentaram retomar a casa de Gbagbo mesta manhã. O ataque fracassou", disse, "Eles não conseguiram quebrar a resistência com todas as armas de grosso calibre que ainda estão escondidas na casa de Gbagbo. Eles recuaram para repensar e replanejar", disse.

Segundo a agência de notícias Efe, os disparos que podiam ser escutados desde o início da manhã desta quarta-feira nos arredores da residência oficial de Gbagbo cessaram de tarde. Os tiros foram escutados na área contígua onde fica a residência de Gbagbo, no bairro de Cocody, segundo confirmaram moradores da zona.

ABASTECIMENTO

Apesar da tensa situação em Abidjã e das advertências de vários porta-vozes de Ouattara, muitos habitantes da capital econômica do país decidiram desafiar a insegurança da cidade para buscar alimentos, água e remédios.

Em alguns distritos, como o de Riviera 3, alguns comerciantes foram nesta quarta-feira até seus estabelecimentos para vender produtos de primeira necessidade, cujos preços triplicaram, enquanto era possível observar longas filas de pessoas frente às poucas farmácias de Abidjã que estavam abertas.

No entanto, a situação dos residentes de Abidjã é cada vez mais insustentável, especialmente pela falta de informação que há sobre os combates entre os bandos de Ouattara e Gbagbo.

Há uma semana, nenhum jornal local saiu às ruas, já que os jornalistas afirmam não sentir-se suficientemente seguros para comparecer a seus postos de trabalho, por isso que a única informação da qual se dispõe vem das emissoras e jornais estrangeiros.

 

Rebecca Blackwell/AP
Soldado de Ouattara usa máscara antigás em preparação ao combate na casa de Gbagbo

 

 

 

 

 

 

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