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Justiça Segunda-feira, 01 de Junho de 2026, 10:43 - A | A

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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026, 10h:43 - A | A

OPERAÇÃO SISAMNES

Zanin mantém tornozeleira em lobista e prorroga investigação sobre venda de sentenças

Decisão do ministro Cristiano Zanin aponta estrutura criminosa voltada para corrupção, lavagem de dinheiro e venda de sentenças que envolve advogados e ex-assessor

ANDRÉ ALVES
Da Redação

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública a investigação que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais, corrupção, vazamento de informações sigilosas e lavagem de dinheiro envolvendo advogados, assessores e operadores suspeitos de atuar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A investigação começou a partir do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, que culminou na Operação Sisamnes, afastando dois desembargadores e na prisão do advogado e lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.

Segundo a acusação, o principal investigado é Andreson de Oliveira Gonçalves, denunciado por corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ao todo, a denúncia da PGR aponta nove investigados por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, exploração de prestígio e lavagem de dinheiro.

Na decisão do dia 28de maio, o magistrado recebeu a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), manteve medidas cautelares contra os investigados e prorrogou as investigações por mais 60 dias. Com isso, Andreson irá continuar usando tornozeleira eletrônica, sua esposa Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, Daimler Alberto de Campos, ex-chefe de gabinete do STJ, além de Márcio José Toledo Pinto, Vanessa Resende Gonçalves, Carlos Antônio Nogueira Júnior, Bernardo Mazzutti, Diego Cavalcante Gomes e João Batista da Silva.

“A partir de um recorte parcial das diligências investigativas, apenas reafirma a existência de elementos de materialidade e autoria delitivas, mas não elide o risco à instrução processual, de maneira que reafirmo a necessidade de manutenção das medidas cautelares aplicadas, inclusive de monitoramento eletrônico, sem prejuízo de posterior reanálise”, destacou.

LEIA MAIS: PGR denuncia lobista e dois funcionários do STJ sob acusação de venda de decisões

A PGR sustenta que as investigações revelaram indícios da existência de uma estrutura criminosa voltada à negociação de influência junto ao sistema de Justiça, com suspeitas de vazamento de informações internas, pagamentos ilícitos e ocultação de patrimônio.

Na decisão, Cristiano Zanin entendeu que o Supremo deve continuar conduzindo o caso porque ainda existem investigações relacionadas envolvendo autoridades com foro privilegiado e diligências pendentes que podem ampliar o alcance das apurações.

“O quadro investigativo permanece aberto a desdobramentos relevantes para a delimitação das condutas, dos vínculos subjetivos e da própria extensão da organização criminosa examinada”, destacou o ministro.

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