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Política Segunda-feira, 01 de Junho de 2026, 09:07 - A | A

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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026, 09h:07 - A | A

ROMBO NA EDUCAÇÃO

"Dinheiro jogado fora", diz Sérgio Ricardo ao identificar 11 erros em cartilha de 31 páginas

Em vídeo, conselheiro Sérgio Ricardo exibiu material didático pago pela Prefeitura de Cuiabá e denunciou inserção fraudulenta de notas de informática em escolas sem computador

BIANCA MORTELARO
Da redação

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, revelou ter identificado 11 erros em um livro de alfabetização de apenas 31 páginas e a inserção de notas em boletins de alunos para aulas de informática que nunca existiram, em transmissão ao vivo realizada em suas redes sociais neste domingo (31).

"Onze erros num livro que tem trinta e uma páginas, erros praticamente em todas as páginas, então você veja, isso é um crime também, além de venderem esses livros em quantidades totalmente desnecessárias. Como é que vai ensinar?", questionou.

O conselheiro, que passou o dia analisando materiais recolhidos em vistorias na capital, afirmou que a Prefeitura de Cuiabá gastou R$ 50 milhões em materiais didáticos considerados por ele como "inutilizáveis" e "porcarias", citando livros de educação financeira com dados defasados e materiais de computação destinados a escolas sem laboratórios.

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Durante o vídeo, Sérgio exibiu livros de educação financeira que indicam o salário mínimo nacional em R$ 720,00, valor muito inferior ao atual. Também criticou a aquisição de pelo menos 50 mil exemplares dessa disciplina, que sequer compõem a grade curricular do município.

"Foi dinheiro jogado fora, dinheiro jogado fora, não vai mais poder ser utilizado isso aqui", declarou o conselheiro.

Ele também apresentou um boletim escolar com nota 7 na disciplina de computação para uma aluna que, segundo relatos da diretoria da escola, jamais teve acesso a computadores ou aulas da matéria.

Sobre os responsáveis pelas vendas e aquisições, Ricardo foi enfático: "Os bandidos que venderam, os bandidos que compraram, eles inseriram aqui no boletim a matéria de informática... fraudulentamente".

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A denúncia foi apresentada no vídeo após uma fiscalização técnica iniciada na última sexta-feira (29), motivada por representação do prefeito Abilio Brunini (PL).

A auditoria do TCE-MT investiga contratos que somam R$ 80 milhões em materiais didáticos, apontando que, caso os pagamentos não tivessem sido suspensos pela atual gestão da Secretaria Municipal de Educação, o montante poderia chegar a R$ 159 milhões entre 2025 e 2026. Segundo o conselheiro, o custo por aluno em Cuiabá atingiria R$ 2,7 mil anuais, enquanto a média nacional situa-se entre R$ 400 e R$ 600.

"Gente, porcaria não é um desrespeito ao livro... é desrespeito a essa fraude", pontuou Ricardo ao justificar suas críticas à qualidade do conteúdo pedagógico.

Embora o conselheiro tenha focado no descarte e na má qualidade, a legenda da publicação ponderou que pontos equivocados do material poderiam ser revisados e adequados pelos professores para evitar o desperdício total dos recursos públicos já investidos.

Paralelamente, o TCE-MT anunciou que estenderá a auditoria para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e outras prefeituras do interior, após identificar indícios de um padrão semelhante em compras de materiais didáticos em todo o estado, além de abrir uma investigação sobre possíveis inconsistências nos dados do Ideb apresentados pelo Governo de Mato Grosso.

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