O empresário do agronegócio Eraí Maggi Scheffer afirmou nesta quarta-feira (27) que Mato Grosso poderá viver um novo ciclo econômico baseado na industrialização da cadeia do algodão, ampliação do turismo e fortalecimento de setores ligados à geração de empregos e transformação industrial.
Durante entrevista coletiva, Eraí disse que o Parque Novo Mato Grosso pode se tornar um marco no desenvolvimento estadual e funcionar como indutor de investimentos privados, eventos, turismo e novos negócios.
“Mato Grosso vai ter uma história antes do parque e depois do parque. O parque não é só um lugar de diversão. Vai trazer tecnologia, ciência, exposição, grandes eventos, vai trazer pessoas para conhecer Mato Grosso. A pessoa vem aqui, conhece o estado e pode acabar investindo numa indústria grande, num negócio grande aqui”, afirmou.
Segundo o empresário, o projeto também deve ampliar o acesso ao lazer para famílias da Baixada Cuiabana e de outras regiões do estado.
“Tem muita gente humilde que não consegue viajar para fora, não consegue conhecer determinados lugares. Ali vai ser uma oportunidade também para essas pessoas terem um espaço de convivência e lazer”, disse.
Eraí afirmou ainda que o empreendimento pode estimular o crescimento de indústrias ligadas ao setor têxtil e à cadeia produtiva do algodão. Mato Grosso é atualmente o maior produtor nacional da fibra, respondendo por cerca de 70% da produção brasileira.
Na avaliação dele, o estado ainda perde parte significativa da renda gerada pela atividade por exportar matéria-prima e importar produtos industrializados.
“Hoje nós exportamos o algodão e depois compramos a roupa pronta de volta. Gera emprego lá fora e não aqui. O nosso produto sai daqui, enfrenta frete caro, imposto, logística difícil, gera emprego em outro lugar e o nosso povo acaba ficando sem essa oportunidade”, afirmou.
O empresário defendeu a criação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da indústria de confecção, com incentivo ao financiamento de equipamentos modernos e capacitação de mão de obra.
“Tem muita gente que pode trabalhar nisso. Muitas mulheres podem trabalhar até de casa, mas precisa levar tecnologia, máquina moderna, financiamento, competitividade. Tem que criar incentivo, trazer tecnologia da Ásia, facilitar financiamento para essas pessoas trabalharem com eficiência”, declarou.
Eraí também sugeriu que Mato Grosso pode se consolidar como polo regional de abastecimento para estados do Norte e Centro-Oeste, além de países vizinhos.
“Vai abastecer Rondônia, Acre, Amazônia, Bolívia. Mato Grosso pode virar um polo importante de produção e comercialização. Isso pode gerar uma nova Goiânia, uma nova Caruaru, uma nova Blumenau”, afirmou.
Ao comparar o cenário atual com o crescimento do etanol de milho no estado, o empresário disse que a agregação de valor aos produtos agrícolas aumenta o otimismo do produtor rural e fortalece a economia local.
“O produtor fica animado quando vê o produto dele sendo transformado aqui dentro. Foi assim com o milho, com o biodiesel, com o etanol. O produtor gosta de ver evolução, geração de renda e emprego acontecendo no estado”, disse.
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