A sessão administrativa do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), realizada nesta segunda-feira (25), foi marcada por um clima de desconforto após a desistência do juiz-membro Pérsio Landim da disputa pelo cargo de ouvidor eleitoral da Corte. A retirada ocorreu durante a votação e provocou reação imediata do vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Marcos Machado.
A disputa envolvia Landim e a juíza substituta Glenda Moreira Borges. Durante a sessão, Marcos Machado declarou apoio ao magistrado, destacando sua atuação dentro do tribunal e defendendo que a função fosse ocupada por um membro titular da Corte.
Ao justificar seu posicionamento, o desembargador também mencionou que Glenda Borges já estaria envolvida em demandas relacionadas à propaganda eleitoral, o que, segundo ele, poderia ampliar a carga de trabalho da magistrada.
“Eu creio que, pela experiência que ela está a adquirir, ela vai ser tomada por essa avalanche que já está acontecendo”, afirmou.
Na sequência da votação, Pérsio Landim agradeceu as manifestações feitas pelo desembargador e anunciou que estava retirando sua candidatura. Segundo ele, a decisão foi tomada após reflexão sobre o interesse institucional do tribunal.
“Meu maior objetivo é o Tribunal Regional Eleitoral acima de qualquer vontade”, declarou.
A desistência alterou o rumo da sessão e motivou críticas públicas de Marcos Machado, que afirmou que o magistrado poderia ter comunicado a decisão antes do início da deliberação.
“O doutor Pérsio Landim poderia ter tido um pouco de consideração. Ele poderia ter comunicado no início da sessão, evitando o tempo que se perde”, disse.
Em seguida, o desembargador endureceu o discurso e afirmou que o episódio comprometeu sua confiança política e institucional no magistrado.
“Se Vossa Excelência não deseja, então não se inscreveria ou pelo menos teria a hombridade de, no início da sessão, comunicar à presidente. Esse tipo de atitude, doutor Pérsio Landim, quero dizer o seguinte: não conte comigo para outras suas perspectivas, porque, se tem alguém que tem lealdade e palavra, sou eu. Não estou dizendo que Vossa Excelência não tenha, mas esse tipo de conduta desabona um processo legítimo de escolha, ainda que internamente”, declarou.
Com a retirada de Landim e sem novos concorrentes, Glenda Moreira Borges foi eleita por aclamação para o cargo de ouvidora-geral do TRE-MT.
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