Uma jovem de 18 anos foi resgatada pela Polícia Militar no início da noite desta quarta-feira (20), no Hospital H-Bento, no bairro Araés, em Cuiabá, após passar quase uma semana mantida em cárcere privado e sofrer agressões severas do ex-namorado, de 34 anos. Policiais foram acionados na área externa da unidade de saúde pela mãe da vítima, que apontou o momento exato em que o suspeito saía do prédio.
O homem, que já possui três antecedentes criminais por violência doméstica, recebeu voz de prisão em flagrante sob acusações de lesão corporal grave, cárcere privado, ameaça, dano e violência psicológica. Ele foi algemado e conduzido ao Plantão de Violência Doméstica da capital.
O crime teve início na quinta-feira (14), quando a jovem aceitou um convite para ir ao apartamento do suspeito, localizado no bairro Jardim das Palmeiras, após passarem sete meses separados de um relacionamento que durou dois anos e já era marcado por abusos.
Enquanto a vítima tomava banho, o homem invadiu a privacidade de seu aparelho celular desbloqueado e, tomado por ciúmes ao ler conversas antigas do WhatsApp com outro rapaz, desferiu um forte soco na boca da jovem.
O impacto violento quebrou o maxilar da vítima em dois pontos e provocou uma hemorragia intensa que a fez engasgar com o próprio sangue. Para abafar os gritos de socorro, o agressor utilizou panos e quebrou o celular da ex-namorada, deixando-a trancada e sem assistência médica por dias.
Durante o período de confinamento, a mãe da jovem conseguia manter contato apenas por meio do telefone do suspeito, sob severa coação psicológica para que a filha fingisse que tudo corria bem. A vítima conseguiu romper o isolamento de forma criativa e desesperada: aproveitando um momento de ausência do agressor, acessou o navegador de internet de uma Smart TV e enviou um e-mail desesperado para uma amiga, que imediatamente alertou a família.
Pressionado pelas fortes dores da jovem, o suspeito realizou tomografias em uma clínica e, posteriormente, por orientação da própria mãe, levou a vítima ao Hospital H-Bento para passar por uma cirurgia bucomaxiloficial de alto custo, que foi paga via Pix, dinheiro e cartão de crédito.
A farsa ruiu definitivamente no ambiente hospitalar, onde o médico responsável pelo procedimento desconfiou da conduta do homem, que se mostrava extremamente nervoso e se recusava a acionar os familiares da paciente para assinar o termo obrigatório de risco cirúrgico.
O suspeito chegou a discutir com o médico e utilizou a cirurgia como moeda de troca, ameaçando não custear o tratamento caso fosse denunciado à polícia, o que provocou o adiamento da operação. Após receber a confirmação da prisão do agressor no centro cirúrgico, a jovem foi acolhida e os pertences do suspeito foram entregues ao seu advogado de defesa.
A Polícia Civil mantém o agressor preso e utilizará o celular recuperado da vítima, que armazena áudios e mensagens de ameaças, para robustecer o inquérito judicial.
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