A sentença que condenou o advogado Pauly Ramiro Ferrari Dorado a 26 anos de prisão revela em detalhes como ele atuava diretamente para o Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso. Segundo a decisão, o profissional exercia funções estratégicas dentro da organização criminosa, utilizando a própria atividade jurídica para facilitar crimes.
De acordo com o processo, uma das principais frentes de atuação era o chamado resgate de drogas e valores. Pauly obtinha informações com pessoas presas e repassava à facção, que conseguia localizar entorpecentes e dinheiro que não haviam sido apreendidos pelas forças de segurança.
O esquema também envolvia a recuperação de veículos por meio de extorsão. Após furtos ou roubos, integrantes do grupo exigiam pagamento das vítimas para devolução dos automóveis, prática que contava com a participação do advogado.
Outro ponto destacado na sentença é a venda de supostas facilidades dentro do sistema de Justiça. Conforme apurado, Pauly cobrava valores para interferir em processos ou garantir benefícios a investigados. Em alguns casos, os pedidos variavam de R$ 10 mil e R$ 20 mil.
A decisão ainda aponta que ele atuava como intermediador entre membros da facção, facilitando a comunicação e repassando informações estratégicas. O juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop (480 km de Cuiabá) entendeu que a atuação não era pontual, mas contínua e integrada à estrutura da organização criminosa.
Um dos aspectos mais graves considerados na condenação foi o uso da condição de advogado para a prática dos crimes. Segundo o magistrado, o réu se valia das prerrogativas da profissão para acessar informações, manter contato com presos e evitar suspeitas, ampliando a eficiência das ações do grupo.
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A condenação foi baseada em um conjunto de provas que inclui interceptações telefônicas, depoimentos, relatórios policiais e confissão. Para a Justiça, o material formou um conjunto consistente que comprovou a participação ativa do advogado na organização criminosa.
Na conclusão, o juiz afirmou que ficou demonstrado que Pauly integrava o Comando Vermelho (CV) e utilizava a advocacia como instrumento para fortalecer atividades ilícitas.
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