Enquanto anunciava o encerramento das atividades e se despedia do público com uma mensagem de agradecimento nas redes sociais, o Rebu Bar enfrentava uma série de disputas judiciais que envolviam desde uma ação de despejo por inadimplência até uma disputa societária sobre a origem e a administração do negócio.
Em fevereiro deste ano, o estabelecimento, que funcionava na Avenida Edgar Vieira, no bairro Boa Esperança, em Cuiabá, informou o fechamento das portas após dois anos de funcionamento. Na ocasião, a direção atribuiu a decisão às dificuldades de manter um espaço alternativo, citando burocracia, pressões externas e desafios financeiros.
No entanto, documentos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) revelam que o encerramento das atividades ocorreu em meio a processos que discutiam dívidas locatícias, cobrança judicial e conflitos empresariais envolvendo o empreendimento.
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DESPEJO E COBRANÇA
Uma das ações tramita na 8ª Vara Cível de Cuiabá e foi movida pelos proprietários do imóvel contra o Rebu Bar, a empresa locatária, além de fiadores do contrato.
O processo teve início em 2024 como uma ação de despejo por falta de pagamento cumulada com cobrança de aluguéis e encargos locatícios. Ainda naquele ano, as partes chegaram a um acordo homologado judicialmente, encerrando momentaneamente a disputa.
Contudo, segundo os autos, os proprietários alegaram posteriormente o descumprimento das obrigações assumidas. Em julho de 2025, a Justiça intimou os executados para cumprir integralmente o acordo firmado.
Já em janeiro de 2026, o juiz Alexandre Elias Filho determinou a expedição de mandado de despejo compulsório do imóvel, concedendo prazo para desocupação voluntária e autorizando o uso de força policial, caso necessário.
Após a retomada do imóvel pelos proprietários, a ação evoluiu para a fase de execução financeira. Em decisão publicada neste mês de junho, a Justiça determinou a cobrança de R$ 154.309,34 referentes ao débito apontado pelos exequentes.
BLOQUEIO DE CONTAS
Durante a execução da dívida, houve ainda o bloqueio de valores por meio do sistema Sisbajud.
Parte dos recursos atingidos estava em contas de um dos fiadores, que alegou tratar-se de verbas de natureza alimentar, provenientes de aposentadoria e atividade profissional.
O caso chegou à Quarta Câmara de Direito Privado do TJMT, que reconheceu parcialmente a alegação. Os desembargadores decidiram liberar a maior parte dos valores bloqueados, mantendo a penhora de 20% do montante, equivalente a R$ 8,1 mil.
BRIGA ENTRE SÓCIOS
Paralelamente à disputa locatícia, o Rebu Bar também aparece em uma ação de dissolução parcial de sociedade que tramita na 9ª Vara Cível de Cuiabá.
O processo foi movido por Leonardo Tiarayu Pinheiro Bejarano contra Dulce Larissa Melo Fernandes, Sarambi Bar Ltda. e Rebu Bar Ltda.
Nos autos, Leonardo afirma que era sócio da empresa Sarambi Bar e busca sua retirada formal do quadro societário com a consequente apuração de haveres.
Em recurso analisado pelo TJMT em 2024, o autor alegou que a administração da empresa passou a ser exercida de forma unilateral, além de sustentar que o ponto comercial e ativos vinculados ao Sarambi teriam passado a ser utilizados pelo Rebu Bar.
Ele também argumentou que as duas empresas operavam no mesmo endereço e questionou a utilização da estrutura empresarial do antigo estabelecimento.
O Tribunal, entretanto, não analisou o mérito das alegações naquele momento e decidiu que a controvérsia exigia produção de provas mais aprofundadas.
PERÍCIA CONTÁBIL
Diante da complexidade da disputa societária, a Justiça determinou a realização de perícia contábil para apurar patrimônio, ativos, passivos e eventuais valores devidos entre os envolvidos.
O trabalho chegou a ser autorizado pelo juízo, mas acabou suspenso em janeiro deste ano após uma das partes informar a existência de negociações para um possível acordo.
Até o momento, não há decisão definitiva sobre o conflito societário.
DESPEDIDA
Ao anunciar o encerramento das atividades, o Rebu Bar afirmou que o espaço foi criado para fomentar artistas locais, manifestações culturais independentes e acolher a diversidade.
Na publicação de despedida, a equipe descreveu o estabelecimento como um espaço de resistência cultural e afirmou que o fechamento ocorreu após desafios enfrentados para manter o negócio em funcionamento.
Apesar do encerramento das atividades físicas, o grupo destacou que o legado construído ao longo dos dois anos de funcionamento permaneceria vivo entre frequentadores, artistas e colaboradores que participaram da trajetória do empreendimento.
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