O procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, do Ministério Público Federal (MPF), instaurou inquérito civil para investigar a contaminação por agrotóxicos na Terra Indígena Tirecatinga, em Sapezal (510 km de Cuiabá). A medida foi determinada após estudo técnico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) apontar resíduos de substâncias proibidas em 88% das plantas medicinais cultivadas pelos indígenas Nambikwara.
Segundo o levantamento, foram identificados compostos como carbofurano, atrazina, clorpirifós, tiametoxam e acetamiprido, alguns banidos no Brasil e na União Europeia. O MPF também recebeu relatos de lideranças indígenas sobre o aumento de doenças respiratórias, dores de cabeça severas e casos de aborto espontâneo, que podem estar ligados à pulverização aérea e à contaminação de rios e nascentes.
O MPF determinou o envio de ofícios a órgãos ambientais e de saúde, como o Indea, Sema, Ibama e Ministério da Saúde, para aprofundar as investigações e monitorar os impactos à saúde e ao meio ambiente.
O município de Sapezal é o segundo maior consumidor de agrotóxicos de Mato Grosso, o que, segundo o MPF, expõe de forma desproporcional a população indígena às substâncias tóxicas usadas nas lavouras de algodão e soja.
O inquérito também prevê o compartilhamento das informações com o setor de Populações Indígenas da Procuradoria da República em Mato Grosso, para atuação conjunta na defesa dos direitos da comunidade Nambikwara.
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