A Justiça de Mato Grosso determinou a destinação definitiva ao Estado dos valores arrecadados com a venda de bens apreendidos na Operação Red Money, que desarticulou o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV) no estado. A decisão também autoriza a continuidade dos procedimentos administrativos para alienação do restante do patrimônio confiscado dos condenados.
A decisão foi proferida pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O magistrado destacou que a ação penal principal já transitou em julgado, tornando definitivo o perdimento dos bens em favor do Estado de Mato Grosso. Com isso, segundo o juiz, não há mais necessidade de intervenção judicial no incidente de alienação antecipada, restando apenas as providências administrativas para a venda dos ativos e destinação dos recursos.
Entre as determinações, a Secretaria da Vara deverá certificar o depósito judicial dos valores arrecadados com os bens já leiloados e providenciar sua transferência ao Estado, conforme estabelecido na sentença condenatória.
O magistrado também determinou a intimação da Central Integrada de Fiscalização e Recuperação de Ativos (CIFRA) e a expedição de ofício à Diretoria do Foro para que sejam adotadas as medidas necessárias à avaliação, arrecadação e alienação dos demais bens declarados perdidos.
Após o cumprimento das determinações e inexistindo novas pendências, o processo será arquivado definitivamente.
Operação Red Money
Deflagrada pela Polícia Civil em agosto de 2018, a Operação Red Money teve como objetivo desarticular o sistema financeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso. As investigações apontaram que integrantes da facção utilizavam empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e familiares para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e promover a lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, aproximadamente R$ 52 milhões foram movimentados em um período de um ano e meio por meio de dezenas de contas bancárias ligadas ao esquema criminoso. A operação resultou no cumprimento de mais de 230 ordens judiciais, incluindo prisões, buscas e apreensões, bloqueios de contas e sequestro de imóveis, veículos, joias e outros bens.
Entre os principais alvos estavam Janderson dos Santos Lopes, conhecido como "Cowboy", apontado como integrante do núcleo financeiro da facção, e Thais Emília Siqueira Silva, investigada por supostamente atuar na abertura de empresas e na movimentação de recursos utilizados para ocultar dinheiro de origem ilícita.
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