O juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, cancelou o interrogatório antecipado do vigilante Ruiter Cândido da Silva e remarcou a audiência de instrução e julgamento da ação penal para os dias 1º e 2 de outubro de 2026. A decisão foi tomada, nesta sexta-feira (24), após a Defensoria Pública informar que o acusado pretende exercer o direito constitucional ao silêncio enquanto não houver acordo relacionado à colaboração premiada.
Na decisão, o magistrado ressaltou que Ruiter permanece na condição de acusado e que sua inclusão em programa de proteção não altera a natureza jurídica do interrogatório. Quando for ouvido, terá assegurados o direito de entrevista reservada com a Defensoria Pública, a autodefesa e a faculdade de permanecer em silêncio ou responder apenas às perguntas que considerar pertinentes.
Ruiter e 16 policiais militares da Rotam são apontados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pela execução de três homens na região do Rodoanel em Cuiabá, em outubro de 2017. As vítimas Mayson Ricardo de Moraes Dihl, Fabrício Soares Ferreira e Deberson Pereira de Oliveira para uma falsa proposta de roubo.
Os três foram levados até o local, conhecido como Mangueiral, onde foram rendidos, desarmados e obrigados a retornar ao veículo onde estavam antes de serem atingidas. Segundo o MP, cinco policiais se posicionaram ao lado esquerdo do automóvel e efetuaram ao menos 112 disparos de fuzis e submetralhadora contra as vítimas. O trio morreu no local. Uma quarta vítima, Diego Arruda Nascimento foi atingido por dois tiros, mas sobreviveu. A denúncia afirma que ele permaneceu imóvel após os disparos até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo socorrido e encaminhado para atendimento médico.
A acusação sustenta que as vítimas não tiveram qualquer possibilidade de defesa. Segundo os exames periciais, o motorista Cleber Neves de Andrade foi atingido por 13 projéteis e apresentava queimaduras provocadas por estilhaços, compatíveis com disparos a curta distância. José Carlos Fernandes Dumont também teria sido atingido por tiros efetuados de perto, circunstância que, para o Ministério Público, afasta a hipótese de confronto armado.
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A denúncia atribui a outros policiais militares a função de dar apoio à ação, perseguindo o veículo, realizando a abordagem, desarmando as vítimas e garantindo a retaguarda para a execução dos disparos. Entre os denunciados estão Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, envolvidos no assassinato do advogado Renato Nery, em julho de 2024.
Para o Ministério Público, o crime teve motivação torpe. A acusação afirma que os denunciados decidiram matar as vítimas para promover o Batalhão da Rotam, obter elogios e favorecer futuras promoções na carreira militar.
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