O desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou, nesta quarta-feira (10), habeas corpus para o empresário Gabriel Junior Tacca, preso preventivamente desde setembro de 2025 pelo envolvimento no homicídio qualificado de Ivan Michel Bonotto, em Sorriso (397 km de Cuiabá). Ele teria cometido o crime com a ajuda de um comparsa após descobrir que seu amigo era amante de sua esposa.
A defesa do acusado alegou constrangimento ilegal por excesso de prazo. Segundo os advogados, a instrução processual terminou em abril de 2026, mas as alegações finais estariam paralisadas há mais de quarenta dias devido a pendências na juntada de mídias audiovisuais solicitadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Também foi argumentado que o réu possui residência fixa e é primário.
“O pleito de mitigação dos referidos verbetes sumulares e precedentes obrigatórios confunde-se substancialmente com o mérito da impetração, cujo exame exauriente e detalhado é incompatível com o estreito juízo de cognição sumária preambular”, destacou.
O magistrado explicou que a concessão de liminar em habeas corpus é uma medida excepcional e que não identificou ilegalidade evidente que justificasse a soltura imediata. O desembargador fundamentou que a alegação de excesso de prazo fica superada assim que a instrução criminal é encerrada.
Rodrigues apontou ainda que os prazos processuais não devem ser calculados de forma puramente matemática, mas sim sob o critério da razoabilidade. Para o magistrado, o período de quarenta e seis dias citado pela defesa não representa, em uma análise preliminar, um atraso abusivo provocado por inércia ou omissão da Justiça de Sorriso.
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O CRIME
Gabriel Júnior Tacca e o comerciante Danilo Carlos Guimarães são acusados de homicídio qualificado de Ivan Michel Bonotto em Sorriso na noite de 21 de março de 2025. De acordo com a denúncia do Ministério Público, eles agiram de forma coordenada, utilizando recursos que impossibilitaram a defesa da vítima, ao matá-lo a facadas em uma distribuidora.
Após o ataque, Gabriel Tacca teria levado a vítima ferida ao hospital em uma tentativa de simular solidariedade e afastar qualquer suspeita sobre sua participação direta na execução. A farsa estendeu-se aos depoimentos iniciais, nos quais Gabriel e Danilo sustentaram que Ivan teria sido morto em decorrência de uma suposta briga de bar. Contudo, o inquérito conduzido pela Polícia Civil, desmantelou a versão dos réus, comprovando que o crime foi planejado e executado mediante emboscada.
Segundo a denúncia, o crime foi impulsionado por vingança pessoal. Ivan Bonotto era amigo de Gabriel e de sua esposa, a médica ginecologista Sabrina Iara de Mello. A descoberta de um envolvimento amoroso entre a vítima e Sabrina teria rompido o vínculo de amizade e gerado o rancor que culminou no assassinato.
A médica Sabrina Iara de Mello também foi alvo das investigações. Segundo as autoridades, enquanto a vítima recebia atendimento hospitalar, Sabrina teria apagado mensagens e fotografias do celular de Ivan. A conduta foi caracterizada como fraude processual qualificada, visando a destruição de provas que pudessem incriminar os envolvidos ou expor a dinâmica da relação entre eles.
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