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Justiça Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026, 11:11 - A | A

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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026, 11h:11 - A | A

OPERAÇÃO RUPTURA CPX

Federal do CV volta à prisão por suspeita de comandar finanças do Comando Vermelho em MT

Conversas extraídas de celulares, planilhas e comprovantes bancários levaram a Polícia Civil a apontar o investigado como responsável por arrecadação, distribuição de drogas e controle de empréstimos da facção.

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Reprodução | Montagem HNT

Federal do CV volta à prisão

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, decretou a prisão preventiva de Sebastião da Silva Junior, o Federal do CV, apontado pela Polícia Civil como integrante da cúpula financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso. A decisão, de 8 de outubro, também autorizou buscas em seis endereços e o bloqueio de cinco imóveis atribuídos ao investigado, incluindo espaços de eventos em Várzea Grande e uma chácara entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães (67 km de Cuiabá).

Segundo a investigação, Federal exerceria funções de coordenação na facção, com participação na arrecadação de dinheiro, na distribuição de drogas e na administração de empréstimos com juros elevados. Relatórios produzidos a partir de celulares apreendidos durante a Operação Ruptura CPX, em março deste ano, reuniram conversas, comprovantes de transferências bancárias e planilhas que, para a polícia, indicam a atuação do investigado em diferentes frentes da organização.

“Verifica-se que o grupo é composto por 147 integrantes, os quais, pelos elementos analisados, aparentam possuir vínculo com a organização criminosa Comando Vermelho, sendo que parte deles exerce, possivelmente, funções de gerenciamento de pontos de comercialização de entorpecentes ("quebradas"). Entre os participantes mais atuantes do grupo, destaca-se Sebastião da Silva Júnior, cuja participação frequente reforça os indícios de seu vínculo com a referida organização criminosa”, diz trecho do relatório.

O juiz havia revogado anteriormente a prisão preventiva de Federal e imposto medidas cautelares alternativas. Na ocasião, considerou que faltavam elementos para sustentar a manutenção da custódia, entre eles um relatório de inteligência financeira que ainda não havia sido juntado ao processo.

Um dos documentos analisados aponta que, em março de 2026, as prestações de contas relacionadas à arrecadação de diferentes regiões sob influência da facção somaram R$ 475,8 mil. Outros R$ 185,9 mil foram associados a expressões que, segundo os investigadores, seriam referências à comercialização de drogas. O total chegou a aproximadamente R$ 661,7 mil no período analisado.

LEIA MAIS: Justiça revoga prisão de “Federal do CVMT” por falhas em relatórios policiais

As conversas extraídas dos celulares também indicariam que Federal recebia informações sobre a arrecadação de dinheiro e as quantidades de entorpecentes armazenadas e distribuídas. Em um dos diálogos, segundo o relatório, ele teria mencionado 486 kg de droga. Em outra sequência de mensagens, fez referência a 400 kg distribuídos entre pontos de venda e outros 296,85 kg mantidos em estoque.

Ao justificar a nova prisão, Bezerra avaliou que as informações extraídas dos celulares reforçam os indícios de que o investigado ocupava posição de comando na organização e permitem examinar sua atuação para além da movimentação financeira inicialmente identificada.

Além da prisão, o juiz autorizou buscas pessoais e domiciliares em seis locais, entre eles uma residência atribuída ao investigado, dois endereços onde funcionam espaços de eventos e duas chácaras. 

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