O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou o sequestro de cinco imóveis atribuídos a Sebastião da Silva Junior, o Federal do CV, após identificar indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada do investigado. A medida foi baseada nas investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), que também resultaram na prisão de Sebastião nesta segunda-feira (19).
Entre os imóveis estão um no bairro Santa Cecília, outro no bairro Canelas, onde funciona o Espaço Fest Madame Valente, e uma propriedade no Jardim Eldorado, todos em Várzea Grande. Também foram atingidos um imóvel na Rua Parecis, no Jardim Paula I, apontado como residência do Federal do CV, e uma chácara na região do Rio dos Peixes, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
A chácara aparece na decisão como um dos casos em que a investigação identificou indícios de que a propriedade não corresponderia ao controle efetivo do bem. Segundo os documentos, o imóvel foi negociado por cerca de R$ 180 mil, com entrada de R$ 100 mil e o restante dividido em 32 parcelas de R$ 2.500. O contrato, porém, teria sido firmado em nome de outra pessoa, Ana Paula da Conceição Curado.
Segundo a decisão, Federal tinha renda cadastrada de R$ 5.222 mensais, mas recebeu créditos de R$ 518,4 mil em pouco mais de seis meses de 2023. A diferença entre os valores foi considerada um dos elementos que reforçam a suspeita de incompatibilidade patrimonial. A investigação também identificou registros de movimentações financeiras relacionadas à arrecadação atribuída ao Comando Vermelho em Mato Grosso.
Relatórios elaborados a partir de celulares apreendidos durante a Operação Ruptura CPX, em março de 2026, apontam que as prestações de contas de diferentes regiões ligadas à facção somaram R$ 475,8 mil naquele mês. Outros R$ 185,9 mil foram associados a expressões que, segundo os investigadores, seriam referências à comercialização de drogas. Os valores totalizam aproximadamente R$ 661,7 mil.
Os documentos também apontam movimentações por meio de contas de terceiros. Um dos registros mencionados na decisão é um comprovante de transferência via Pix de R$ 341,8 mil entre contas bancárias de outras pessoas. Outra chave Pix identificada pelos investigadores estava em nome da esposa do investigado, Anayna Laura da Conceição Silva.
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“Esses elementos configuram, em cognição sumária, indícios veementes de que o patrimônio foi adquirido e é administrado com proventos da atividade ilícita apurada, a saber, a atuação do representado na estrutura da organização criminosa, e de que a titulação em nome de terceiros se destina a dissimular a sua titularidade”, destacou.
A apuração também encontrou indícios de que Federal administrava empréstimos e cobranças de juros. Uma planilha extraída de um dos celulares registrava taxas mensais estimadas entre 32% e 35%. Para os investigadores, o material sugere a existência de uma rede de agiotagem, com controle de clientes e divisão de tarefas.
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