O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso instalou, na última terça-feira (26), o Gabinete de Gestão Integrada para coordenar as ações de segurança, logística e infraestrutura das Eleições Gerais de 2026. O grupo de trabalho inicia as atividades a pouco mais de quatro meses do pleito, marcado para o dia 4 de outubro, e reúne forças policiais, órgãos institucionais e concessionárias de serviços públicos essenciais, como transporte, energia, água e telecomunicações.
A reunião de abertura dos trabalhos foi realizada na sede do tribunal e conduzida pela presidente da Corte Eleitoral, desembargadora Serly Marcondes Alves. O encontro inaugural também contou com a participação da juíza auxiliar da Presidência e coordenadora do gabinete, Edna Ederli Coutinho, e da procuradora Regional Eleitoral, Thereza L.F.C Maia.
“Já é tradição o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso fazer a gestão do GGI. O gabinete também é uma questão de organização. Quanto mais organizados, mais conversados, mais transparência, mais relacionamento. A gente tem segurança e autoridade. Autoridade vem dessa conversa e dessa transparência. Estou tranquila em dizer que fazer a eleição vai ser fácil porque temos aqui uma equipe muito comprometida para que isso aconteça. O eleitor tem a garantia da Justiça Eleitoral de que ele poderá votar em paz e com segurança para exercer o seu direito”, disse a desembargadora.
Durante o encontro, a coordenação detalhou o plano das eleições em números e abriu espaço para as manifestações das entidades parceiras sobre as expectativas para o pleito deste ano.
“Teremos muitas reuniões pela frente, elas podem ser semanais ou periódicas, ou dia sim, dia não. Vai depender da necessidade. A ideia é sempre estar articulando com esses órgãos de segurança e essas entidades que vão trabalhar conosco no processo eleitoral. Nosso trabalho é de articulação junto às instituições, o que pode resultar no encaminhamento de futuras demandas que não são da Justiça Eleitoral para os órgãos competentes”, destacou.
A tecnologia será um dos pilares para a fiscalização e a coibição de irregularidades no estado. A Justiça Eleitoral prevê a utilização de câmeras de monitoramento e aeronaves não tripuladas para o acompanhamento do processo em tempo real.
“Queremos integrar com o Vigia Mais, que o TRE-MT já tem acesso, para que o sistema possa dar um panorama geral, um panorama real das situações. Também teremos o apoio de outro sistema, o TRE-Guia, para monitoramento em tempo real de todas as seções, para que as ocorrências reportadas sejam resolvidas com celeridade. O eleitoral pede que a ação seja rápida para uma resposta imediata, para que o flagrante ocorra. O flagrante tem que ser ali, tem que ser a resposta, tem que ser na hora”, enfatizou.
A estrutura do plano visa centralizar e aperfeiçoar a governança da segurança eleitoral em Mato Grosso. O diretor-geral do TRE-MT, Mauro Sérgio Rodrigues Diogo, ressaltou que as ações de planejamento começaram um ano atrás.
“Viemos de um ano para cá trabalhando no planejamento integrado das eleições: na logística, na distribuição de urnas, na preparação de urnas, no orçamento, toda a parte de mobilidade e distribuição. Para tudo isso, a gente já teve aprovado planejamento prévio desde o ano passado. Hoje a gente dá esse pontapé oficial, digamos assim, com relação às forças de segurança, que é um trabalho hiper importante para as eleições”, observou.
Desafios geográficos e estrutura operacional
Mato Grosso possui uma extensão territorial de 903.367 quilômetros quadrados, o que representa a terceira maior área entre os estados brasileiros e equivale à soma das 11 menores unidades federativas do país e o Distrito Federal. A dimensão geográfica e a presença de três biomas distintos geram desafios logísticos consideráveis, especialmente no acesso a localidades isoladas. O eleitorado mato-grossense conta com 2,61 milhões de cidadãos aptos a votar, distribuídos por 1.529 locais de votação, entre os quais 110 situam-se em áreas de difícil acesso e 61 em comunidades indígenas, abrangendo os 142 municípios.
Para operacionalizar o pleito, a mobilização humana envolve 51.679 pessoas. Esse grupo é composto por 39.429 mesários e colaboradores em funções especiais, 173 integrantes de juntas eleitorais, 3.574 auxiliares de transporte, 1.453 administradores de prédios públicos e 741 técnicos de urna e comunicação via satélite. A estrutura institucional soma ainda 130 magistrados e promotores, 288 servidores do quadro do tribunal, 248 servidores requisitados de outros órgãos, 173 prestadores de serviços terceirizados e 72 estagiários.
O esquema de segurança pública mobilizará um efetivo total de 5.398 agentes, tomando como referência os dados operacionais do pleito de 2024. As áreas urbanas e rurais convencionais receberão a cobertura das polícias Militar e Judiciária Civil de Mato Grosso. Já a segurança nas seções instaladas em territórios indígenas ficará sob a responsabilidade de equipes da Polícia Federal, do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil.
O contingente de segurança está distribuído com 2.375 policiais militares no policiamento ostensivo, 1.184 policiais civis nas atividades de polícia judiciária e 752 militares do Exército na garantia do perímetro e apoio logístico. O Corpo de Bombeiros atuará com 402 militares na prevenção de acidentes e atendimento a emergências, enquanto a Polícia Rodoviária Federal contará com 220 agentes nas rodovias federais. A Polícia Federal terá 183 agentes dedicados à repressão de crimes eleitorais, e o efetivo se completa com 121 militares da Marinha, 64 guardas municipais e 52 servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
Mitigação de riscos e planejamento logístico
O comitê integrado mapeou vulnerabilidades específicas que receberão monitoramento prioritário, incluindo aglomerações excessivas em locais de votação, crimes de corrupção eleitoral, a prática de boca de urna e o transporte ilegal de eleitores. A estratégia principal consistirá no posicionamento visível das forças de segurança para desestimular práticas ilícitas, associado ao uso de drones em regiões consideradas sensíveis para garantir respostas rápidas.
No campo logístico, o TRE-MT consolidou as informações coletadas em vistorias de campo para definir a alocação dos equipamentos. A partir da confirmação definitiva dos locais de votação e do número de seções operacionais, o tribunal estabeleceu a distribuição exata das urnas eletrônicas para cada zona eleitoral, além de organizar os estoques de contingência e os materiais complementares de suporte.
A sessão de instalação do comitê reuniu representantes de diversas instituições parceiras, como o Ministério Público Eleitoral, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros, Marinha, Exército e a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Também participaram a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Agência Brasileira de Inteligência, concessionárias de serviços públicos como Águas Cuiabá, Oi e Energisa, a empresa pública Correios, além do corpo diretivo e coordenadores do tribunal.
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