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Justiça Quinta-feira, 21 de Maio de 2026, 16:36 - A | A

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TOQUES NÃO CONSENTIDOS

Conselheiro da OAB-MT é investigado por importunação sexual contra advogada em Salvador

Edmar de Jesus Rodrigues, está sendo investigado pela Polícia Civil da Bahia por suposta importunação sexual contra uma colega de profissão

BIANCA MORTELARO
Da redação

O conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Edmar de Jesus Rodrigues, está sendo investigado pela Polícia Civil da Bahia sob a acusação de importunação sexual contra uma conselheira da seccional do estado. Conforme a presidente da entidade em Mato Grosso, Gisela Cardoso, o conselheiro pediu afastamento do cargo para prestar esclarecimentos.

O episódio teria ocorrido na noite de segunda-feira (18), durante um evento de lançamento de uma conferência da instituição realizado no Centro Histórico de Salvador. A denúncia aponta que o conselheiro teria realizado investidas insistentes, toques não consentidos e oferecido dinheiro à vítima após ser rejeitado.

De acordo com o relato da advogada à TV Bahia, o suspeito teria passado a noite fazendo comentários sobre sua aparência e insistindo para que ela consumisse bebidas alcoólicas e deixasse o local em sua companhia. Em determinado momento, o conselheiro teria tocado a perna da vítima sem permissão.

“Ele começou a dizer que eu era a mulher mais bonita da festa, que nunca tinha visto uma mulher tão bonita. Depois, passou a insistir para que eu bebesse e dizia que queria ir embora comigo”, disse a vítima, que preferiu não se identificar, em trecho da entrevista à filial da Globo no estado.

Ao decidir abandonar o evento acompanhada de uma colega, a conselheira relatou ter sido seguida pelo investigado até a área externa, onde ele teria segurado seu braço e colocado um "bolo" de dinheiro em sua mão. A vítima afirmou ter devolvido a quantia imediatamente antes de sair do local.

O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), em Salvador, que já iniciou as diligências para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. Institucionalmente, a OAB-BA acionou seu protocolo de atendimento a vítimas de violência de gênero e encaminhou um ofício ao Conselho Federal da OAB solicitando as providências cabíveis.

A presidente da seccional de Mato Grosso, Gisela Cardoso, afirmou ter sido informada sobre a situação na manhã de quinta-feira (21) e reiterou o repúdio da entidade a qualquer forma de violência contra a mulher.

"Reitero o meu mais absoluto repúdio a toda e qualquer forma de violência contra a mulher. É um informe que eu já solicitei acesso a todos os procedimentos envolvendo este caso, inclusive a representação que já tramita no âmbito do Conselho Federal", declaro Gisela, em vídeo publicado em suas redes sociais. Assista abaixo.

A reportagem entrou em contato com o Conselheiro Edmar de Jesus, mas até o momento não obteve respostas. O espaço segue aberto.

ASSISTA A NOTA DA OAB-MT

NOTA PJC-BA

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM/CMB) investiga uma denúncia de importunação sexual contra um homem, de 36 anos, ocorrida na noite de segunda-feira (18), no Centro Histórico de Salvador. De acordo com as ocorrências, o suspeito praticou atos obscenos por meio de toques sem consentimento. Diligências são realizadas para esclarecer as demais circunstâncias do caso.

NOTA OAB-BA

A OAB Bahia repudia com veemência o assédio sexual denunciado por uma de suas conselheiras contra um conselheiro federal da OAB pelo estado do Mato Grosso, reafirma sua total solidariedade à vítima e acompanha o caso por meio da Comissão da Mulher Advogada e da Procuradoria Jurídica da OAB-BA, com atuação da Procuradoria Adjunta de Gênero e Raça.

A OAB Bahia já enviou ofício ao Conselho Federal da OAB para apuração contra o conselheiro federal, solicitou a sua intervenção no inquérito como assistente da vítima e segue adotando todas as medidas que se fizerem necessárias.

A OAB-BA também já acionou o seu Protocolo de Atendimento às Advogadas Vítimas de Violência de Gênero e garante acolhimento institucional imediato e permanente à advogada. A presidenta da entidade, Daniela Borges, já conversou com a conselheira e acompanha pessoalmente o caso.

A OAB Bahia não medirá esforços para punir severamente condutas que violam a dignidade das mulheres advogadas e que são incompatíveis com o exercício da advocacia.

Mais que uma violação à etica profissional, o assédio é um crime que não pode ser tolerado.

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