O Brasileirão sempre foi uma espécie de trampolim para as maiores ligas da Europa, com incontáveis talentos brasileiros deixando o país em busca de palcos maiores e salários mais altos. Espanha, Inglaterra, Itália e Portugal se beneficiaram bastante desse fluxo ao longo dos anos, e muitos astros seguiram o caminho já conhecido através do Atlântico.
Mas nem toda trajetória seguiu esse roteiro. Dois dos atacantes mais reconhecíveis do futebol nacional optaram por construir, ou reconstruir, suas carreiras em casa.
É uma tendência que qualquer torcedor que gosta de apostar no futebol brasileiro acompanhou de perto, já que dois dos maiores nomes do país recusaram a Europa em busca do status de lenda dentro de casa.
Hulk, ainda em atividade aos 40
Givanildo Vieira de Sousa, conhecido durante toda a carreira como Hulk, construiu a reputação de um dos atacantes mais potentes do futebol brasileiro, representando o Brasil na Copa do Mundo de 2014 e ajudando a seleção a conquistar a Copa das Confederações de 2013. Sua carreira nos clubes passou primeiro pela Europa.
No Porto, conquistou dez títulos, incluindo a Liga Europa da UEFA de 2010/11 e três campeonatos nacionais, além de ser artilheiro da competição em uma ocasião. Depois foi para o Zenit São Petersburgo em 2012, por cerca de 60 milhões de euros, conquistando os três principais títulos do futebol russo e sendo eleito o melhor jogador e artilheiro da liga uma vez cada.
De lá, seguiu para a China, onde passou quatro temporadas pelo Shanghai Port. Encerrado esse período, recusou propostas da Turquia, Portugal, Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, uma saída que deixou clubes da Premier League atentos, e assinou com o Atlético Mineiro em janeiro de 2021.
No Atlético Mineiro, ajudou a encerrar uma espera de 50 anos pelo título do Brasileirão, terminando como artilheiro da competição com 19 gols, e dias depois conquistou também a Copa do Brasil, torneio no qual foi eleito o melhor jogador e artilheiro, com oito gols.
Em 2022 veio a Supercopa do Brasil, seguida de cinco títulos seguidos do Campeonato Mineiro entre 2021 e 2025. Quando deixou o clube, em maio de 2026, somava 311 partidas, com 140 gols marcados e 56 assistências.Em seguida, acertou com o Fluminense em transferência livre até o fim de 2027, mantendo a camisa 7. Estreou oficialmente em um empate por 1 a 1 com o Bragantino, no Maracanã, no dia 17 de julho, pela rodada 19 do Brasileirão, e segue em atividade no futebol brasileiro aos 40 anos.
Gabigol, o atacante que não deu certo na Europa
Gabriel Barbosa, conhecido durante toda a carreira como Gabigol, seguiu um caminho parecido, mas ao contrário. O Santos o vendeu à Inter de Milão em 2016, por cerca de 29,5 milhões de euros, mas ele marcou apenas um gol em nove partidas pela Serie A antes de um empréstimo ao Benfica, onde somou apenas 165 minutos em campo.
Um empréstimo de volta ao Santos reergueu sua carreira, e a transferência definitiva ao Flamengo o transformou em um dos maiores nomes do futebol brasileiro. Só na temporada de 2019, marcou 43 gols em 59 partidas, desempenho que despertou o interesse do West Ham, entre outros clubes, mas ele optou por permanecer no Brasil em vez de voltar à Europa, uma decisão que os torcedores que bet no futebol brasileiro ainda apontam como o momento em que sua lenda começou a se formar.
Ao longo de cinco temporadas pelo Flamengo, disputou 305 partidas e marcou 161 gols, conquistando duas Copas Libertadores, dois títulos do Brasileirão e duas Copas do Brasil, entre outras taças. Deixou o clube rumo ao Cruzeiro no início de 2025, com contrato até 2028, e depois foi emprestado ao Santos, clube que o revelou, em janeiro.
Atualmente é o artilheiro isolado do Santos na temporada, com 14 gols em 27 partidas, ajudando o time do coração a avançar aos playoffs da Copa Sudamericana.
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