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Economia Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 17:30 - A | A

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Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 17h:30 - A | A

Taxas de juros têm firme alta com petróleo acima de US$ 100 e medidas para combustíveis

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Os juros futuros interromperam nesta quarta-feira, 9, uma sequência de cinco quedas, impulsionados pela disparada do petróleo no exterior e, também, por fatores domésticos. As taxas longas chegaram a saltar mais de 20 pontos-base rumo ao final da sessão, após o governo anunciar medidas para reduzir os preços dos combustíveis. A iniciativa, além de piorar as contas públicas, foi considerada eleitoreira, apesar do potencial alívio à inflação no curto prazo.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,571%, no ajuste da véspera, a 13,58%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,865%, vindo de 13,705%. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,902% a 14,095%.

O presidente Lula assinou um decreto que diminuiu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro, e cortou R$ 0,19 por litro do etanol, zerando toda a tributação do produto. Também assinou uma Medida Provisória que prevê subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel, para que os preços continuem estáveis nas bombas. Em vídeo, o presidente afirmou que o governo não vai permitir que os custos da guerra entre Estados Unidos e Irã afetem a economia brasileira.

O novo "pacote de bondades" foi divulgado no mesmo dia em que os contratos futuros de petróleo fecharam com alta de mais de 3%, e o Brent para novembro, que serve de referência para a Petrobras, atingiu US$ 101,21 o barril - maior patamar desde o fim de julho. Depois de trocas de ataques entre os dois lados, o presidente Donald Trump reforçou nesta tarde que não está buscando um acordo com Teerã, e previu que a guerra só deve acabar em novembro, reacendendo expectativas de que a commodity energética seguirá pressionada.

"É uma medida ruim por todos os lados, não só pelo fiscal. A eleição está chegando e o 'saco de maldades' está solto", afirmou um trader à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), em caráter reservado, sobre a redução da cobrança de PIS/Cofins sobre a gasolina. Em sua visão, ainda há mais medidas como essa que podem vir, às vésperas das eleições.

Nos cálculos de Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, a medida deve retirar 0,15 ponto porcentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste mês, sendo 0,11 ponto referente à gasolina, e 0,04 ponto ao etanol. Mesmo sob o aspecto inflacionário, porém, o subsídio teve uma leitura negativa pelo mercado.

"Melhora a inflação de curto prazo, mas piora a de longo prazo com o impulso gerado", observa Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital. Sob anonimato, um estrategista de uma grande tesouraria menciona que a medida gera um risco de rebote da inflação em 2027, que pode ficar "represada" este ano.

Nos EUA, os retornos dos Treasuries continuaram operando perto das máximas da sessão ao longo da tarde, impulsionados também pelo valor de recompra de títulos da dívida pública informado nesta quarta-feira pelo Tesouro. A atuação nos papéis de 10 a 20 anos, prevista para ocorrer nesta quinta, será de US$ 6 bilhões. Às 17h13, o rendimento da T-Note de 10 anos subia de 4,794% a 4,839%. "Hoje quarta-feira o mercado de juros teve uma correção e dinâmica do exterior amplifica esse movimento", disse o economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano.

Apesar do avanço na sessão desta quarta, a curva segue precificando ao menos mais dois cortes na Selic. De acordo com cálculos de Serrano, há praticamente 100% de chance de redução de 0,25 ponto porcentual em setembro, seguida por 60% de probabilidade de novo corte em novembro.

(Com Agência Estado)

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