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Economia Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, 17:30 - A | A

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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, 17h:30 - A | A

Taxas de Juros encerram em baixa, com ajuda de alívio do exterior e fatores técnicos

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Após o forte estresse causado pelo anúncio do reajuste do Bolsa Família nos ativos domésticos, a curva de juros futuros deixou o movimento de alta para trás na segunda etapa do pregão e encerrou o dia com redução dos prêmios em todos os vértices. Segundo agentes, as taxas se alinharam ao ambiente externo mais benigno, de queda do petróleo e dos retornos dos Treasuries, conforme o efeito de pressão do leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro Nacional na curva foi dissipado.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,588%, no ajuste de quarta, a 13,555%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 13,82%, de 13,903%. O DI para janeiro de 2031 diminuiu de 14,116% para 14,04%.

A melhora ocorreu, segundo agentes, porque parte do mercado aproveitou a notícia sobre o benefício para "potencializar" o avanço dos DIs, com posições táticas tomadas em juros - ou seja, que apostam em alta - visando capturar um eventual prêmio mais elevado derivado do leilão do Tesouro Nacional - efeito que foi se dissipando ao longo da tarde.

O aumento de 15% no piso do Bolsa Família, que agora vai a R$ 691, de R$ 600, foi informado pelo governo federal pouco depois das 10h30, quando mesas de renda fixa já sabiam que o Tesouro iria ofertar uma quantidade relevante de títulos - foram 15 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 9 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F). O mercado, então, antes do certame começar, "forçou" para cima os DIs futuros - mais do que eles já subiriam normalmente antes de leilões mais pesados - levando a autoridade fiscal a emitir os títulos com prêmios maiores.

As emissões do Tesouro, o valor maior do benefício - lido como uma medida eleitoreira e de impacto fiscal relevante - e, do outro lado, a descompressão trazida pelo exterior, acabaram direcionando mais os negócios, tendo em vista que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta foi considerado neutro e a decisão de reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual já era esperada.

"Alguns tomam DI para se proteger do leilão. E aí se alguém compra a maioria da emissão, esses players que fizeram o hedge precisam desfazê-lo, e o mercado alivia", explica o gestor de portfólio da Heritage Capital, Eduardo Cohn.

Sob anonimato, um trader afirmou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que o mercado aproveitou "o infeliz anúncio" do reajuste do Bolsa Família para reagir negativamente. "Os lotes do leilão já eram sabidos, então o mercado aproveitou para 'potencializar' o movimento", comentou.

Os ativos domésticos tiveram piora generalizada após o reajuste do benefício, concedido por decreto e em vigor já a partir de outubro. Nos cálculos do Ministério da Fazenda, o impacto nas contas públicas será de R$ 22,7 bilhões por ano para 2027 e 2028. Para 2026, a estimativa é de R$ 5,8 bilhões.

Para o gestor de portfólio da Ujay Capital, Otávio Aidar, é difícil apontar em separado o que foi a influência do leilão de prefixados e do Bolsa Família na pressão observada nos DIs até o começo da tarde. O alívio na segunda parte dos negócios, porém, pode ter ocorrido porque havia agentes "querendo ficar aplicados", e aproveitaram as taxas maiores para isso.

Segundo Aidar, faz sentido apostar na queda das taxas futuras, tendo em vista que o comunicado de quarta do Copom, ao não cravar uma pausa no ciclo de calibração na próxima reunião, deixou aberta essa possibilidade, apesar de o texto ter sido neutro. "Imaginamos que o Banco Central vai seguir cortando e alguns vértices começam a valer a pena", comentou.

Lá fora, a despeito da alta de 0,25 ponto dos juros promovida pelo Federal Reserve (Fed) e da expectativa de novo aperto em 2026, os retornos dos Treasuries recuaram, em sintonia com o dólar, com a redução dos temores sobre um choque mais severo de energia. Às 18h04, o juro da T-Note de 10 anos caía a 4,932%, de 5,015% na quarta.

O barril do petróleo tipo Brent para novembro, que serve de referência para a Petrobras, fechou em US$ 104,82, com perda de 0,95%, com suporte de sinais de avanços diplomáticos no Oriente Médio.

(Com Agência Estado)

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